Mais de 200 mil pessoas estão sem água em decorrência do grande volume de chuva que vem sendo registrado nos últimos dias na região de Apucarana. A maioria dessas pessoas está em Arapongas, onde 90% da população não está sendo abastecida. Em Apucarana, esse índice é de 75%. Novo Itacolomi e Marilândia do Sul também estão parcial ou totalmente sem água encanada. Os dados são da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) que registar problemas de abastecimento em 13 cidades do estado.
Em Arapongas, apenas 10% da cidade recebe abastecimento de água, equivalente à área coberta por poços. A maior parte do município depende da captação da água do Ribeirão dos Apertados, que está com o nível bem acima do normal por conta das chuvas. Com isso, quase 109 mil pessoas estão sem água.
“Acreditamos que a água do rio alagou as bombas d’água, queimando a parte elétrica da estação de captação. Na verdade, ainda não sabemos a dimensão do estrago, pois não conseguimos chegar ao local ainda. A ponte que dá acesso à captação caiu e as estradas alternativas estão intrafegáveis. Um dos nossos funcionários inclusive ficou atolado em uma delas e precisou ser resgatado”, explica Antônio Madrona, coordenador de planejamento e atual gerente interino da Sanepar de Arapongas.
Segundo ele, a intenção é chegar ao local hoje. “Vamos dar um jeito, nem que seja preciso ir de trator até a captação, para observar a situação. Infelizmente não é possível dar um prazo para a normalização do sistema. Pedimos para que as pessoas que ainda têm água em suas caixas d’água utilizem-na de maneira racional. Estamos com caminhões-pipa atendendo emergencialmente hospitais, postos de saúde e creches”, afirma.
Em Apucarana, a situação é parecida. A parcela de 25% do município atendido por poços, como a região norte da cidade e a área próxima ao Country Clube, se mantém abastecido. Já o restante da população, cerca de 98 mil pessoas, não tem a mesma sorte.
“O Rio Caviúna subiu muito e, agora, as bombas d’água estão todas submersas. Além disso, o quadro de força foi todo danificado. A água baixou um pouco e conseguimos chegar até o local, mas ainda não conseguimos ter uma dimensão dos estragos. Precisamos fazer a sucção de toda a área, chamar a Copel, verificar o que foi danificado e tentar religar o que for possível. Mas, como a chuva não para, fica difícil saber quando poderemos fazer isso”, disse ontem à tarde Luiz Carlos Jacovassi, gerente regional da Sanepar de Apucarana.
Com a força da enxurrada, uma adutora foi levada pela correnteza. “A adutora fica em local de mais fácil acesso e já começou a ser substituída. Acredito que hoje mesmo (ontem) ela fica pronta. Mas de nada adianta se não recuperarmos a captação de água”, ressalta ele.
Chuva acima da média afeta Marilândia e Novo Itacolomi
De acordo com a assessoria de imprensa da Sanepar, as cidades de Novo Itacolomi e Marilândia do Sul também sofrem com a falta d’água. Em Novo Itacolomi, apesar da cidade ser abastecida por um poço, todos os quase 3 mil habitantes estão sem água. Isso acontece porque o nível do Rio Bom subiu e inundou o sistema elétrico do poço.
Já em Marilândia do Sul, o distrito de Nova Amoreira está completamente sem água por conta de uma enxurrada, que arrebentou o sistema de canalização que leva a água à localidade. A captação também foi afetada e trabalha com apenas 30% de sua capacidade. Com isso, cerca de 2,7 mil pessoas estão sem água. De acordo com a Sanepar, a situação deve começar a melhorar ainda na madrugada de hoje.
Jandaia do Sul, que até ontem estava com a unidade local da Sanepar inundada pelo Rio Marumbizinho, já está com o abastecimento normalizado, de acordo com a assessoria de imprensa da companhia.
De acordo com o Instituto Simepar, da meia-noite de ontem até as 17 horas, foram registrados 101 milímetros cúbicos de chuva em Apucarana. Já ao longo das 24 horas de anteontem, a estação pluviométrica da cidade registrou 190 mm³. De sexta-feira (8) até as 17 horas de ontem, foram registrados 389 mm³ de chuva na cidade. O volume é 86,1% maior do que o esperado para todo o mês de janeiro (209 mm³)
Prejuízos nas rodovias totalizam R$ 50 mi, avalia governo
O governador Beto Richa determinou ontem que seja estruturada uma ação emergencial para recuperar, o mais rápido possível, os trechos das rodovias estaduais que foram danificados pelas fortes chuvas que atingem o Estado desde o sábado. Levantamento do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) apura prejuízos parciais de R$ 50 milhões em 22 pontos de rodovias estaduais afetados. Além disso, há outros dez trechos em rodovias concessionadas.
Na região, a chuva forte abriu uma cratera nos quilômetros iniciais da PR-444, em Arapongas, que está completamente interditada (leia mais na página ao lado) e levou a cabeceira da Ponte do Rio Bom, entre Apucarana e Rio Bom. Outra rodovia que teve que ser totalmente interditada é a PR-466, entre Borrazópolis e Kaloré, na altura de ponte. Ontem a tarde o rio tinha começado a baixar, mas até o final da tarde o trecho ainda estava fechado.
Como a previsão para os próximos dias é de continuidade das chuvas, os prejuízos podem ser ainda maiores. “Diante da gravidade dos problemas causados pelo excesso de chuva, o governo está agindo prioritariamente para preservar vidas. A próxima etapa será de reconstrução. Medidas emergenciais irão garantir que estradas e demais estruturas danificadas sejam recuperadas o mais breve possível”, afirmou Richa.
O diretor-geral do DER-PR, Nelson Leal Junior, destacou que o órgão está priorizando a recuperação das rodovias bloqueadas onde o fluxo de veículos é maior.
No Norte do Estado, a PR-445, no km 40, a rodovia está interditada, devido a problema na cabeceira da ponte. O local está sinalizado e as equipes está se deslocando para tomar as providências necessárias. Na BR-376, km 272, em Mauá da Serra o tráfego também segue em meia pista devido a problemas no pavimento. No final da tarde, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) interditaram, a ponte da BR-369 que liga os municípios de Ibiporã e Jataizinho, por conta da cheia do Rio Tibagi.