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Falta de capacitação deixa 2 mil empregos vagos no setor industrial

Fernando Klein

| Edição de 10 de junho de 2022 | Atualizado em 10 de junho de 2022
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Por falta de qualificação, pelo menos dois mil trabalhadores não estão empregados no setor de confecções em Apucarana. A estimativa é do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale). Segundo a presidente da entidade, Elisabete Ardigo, a falta de capacitação é um problema histórico do segmento, responsável por cerca de 20 mil empregos diretos na cidade. 

A empresária observa que o mercado de trabalho está em constante evolução, o que exige do trabalhador uma mudança de postura em relação à capacitação profissional. Segundo ela, a forma de produzir mudou, principalmente por conta da tecnologia, e as empresas precisam de profissionais qualificados. 

“Há vagas de empregos disponíveis, sim, no setor de confecções. Quem está fora do mercado de trabalho, no entanto, precisa buscar pelos cursos de capacitação na cidade. Assim, conseguirá colocação nas empresas, que precisam de mão de obra”, assinala Elisabete. 

Ela observa que as empresas estão se modernizando. No entanto, o conhecimento prático é essencial, principalmente no setor de costura, que é o “coração” das fábricas do setor. São mais de 10 mil costureiras com carteira assinada e outras 10 mil atuando informalmente. 

“É preciso ter pelo menos o curso para começar. Depois, o aperfeiçoamento é ganho com o trabalho diário”, completa a presidente do Sivale. 

CURSOS

Miguel Luiz Vilas Boas, diretor do Centro de Qualificação Total de Apucarana, explica que a Prefeitura, anualmente, investe na compra de cursos para a indústria, com destaque para o setor de confecções. “O prefeito se reúne anualmente com representantes do setor para definir quais as necessidades e, depois, o município investe na capacitação”, explica. 

Atualmente, o município tem cursos em andamento em parceria com o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). 

Apenas no setor de confecções, neste primeiro semestre, 460 trabalhadores foram capacitados. Entre os cursos estão o “Costura Industrial de Boné’; “Costura Industrial de Camiseta” e “Manutenção de Máquina de Costura Industrial”, entre outros ligados à área administrativa, como “Gestão de Estoque”. 

“Podemos dizer que todos os trabalhadores que fazem os cursos já saem empregados. Por isso, a procura é grande e, muitas vezes, há fila de espera”, afirma Vilas Boas. Ele observa que, neste primeiro semestre, o município investiu R$ 1,5 milhão nos cursos. “O município contratou essas capacitações de acordo com a demanda das empresas”, reforça o diretor. 


Curso de vestuário é aposta do setor 

Uma das apostas para melhorar a mão de obra no setor de confecções é o Curso Técnico de Vestuário, que iniciará em 25 de julho no Colégio Estadual Professor Izidoro Luiz Cerávolo, em Apucarana. 

As inscrições devem começar na próxima semana e a procura por informações na escola é grande. São 80 vagas anuais, 40 por semestre. A seleção dos alunos será feita a partir da análise das notas do histórico escolar. O candidato precisa ter o ensino médio completo para se candidatar ás vagas. O curso tem duração de 1 ano e meio. 

O diretor do Colégio Cerávolo, Diego Fávaro Soares, afirma que o curso gera muita expectativa em Apucarana. “Queremos que o Colégio Cerávolo seja um centro de desenvolvimento tecnológico na área de vestuário”, diz. 

Além de preparar profissionais para o mercado de trabalho, o professor assinala que a intenção é que o curso atue no fomento à inovação na área. “Os alunos vão aprender todo processo produtivo do setor de confecções”, acrescenta. 

A luta pelo novo curso foi encampada pelo diretor do colégio, Diego Favaro; pelo ex-secretário da saúde, Beto Preto; prefeito Junior da Femac; e pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia), na figura do presidente Wanderlei Faganello.