CIDADES

min de leitura - #

Falta de combustível continua na região

Renan Vallim

| Edição de 02 de junho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.


A retomada do abastecimento de alimentos, combustíveis e outros itens após o fim da greve dos caminhoneiros vem ocorrendo de forma gradual na região. A falta de gasolina e etanol nos postos que receberam carregamentos levou ontem à formação de longas filas em postos de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã. O gás de cozinha também continuava escasso. Já nos supermercados, o que chamou a atenção foi a alta do preço de alguns itens do hortifrúti.

Imagem ilustrativa da imagem Falta de combustível continua na região


A reportagem da Tribuna realizou, entre 15 horas e 16h30, um levantamento da situação dos 24 postos de combustíveis de Apucarana. Destes, 10 não tinham nenhum produto em estoque. Alguns deles já haviam recebido novo carregamento, mas a alta procura fez com que os combustíveis acabassem.
Apenas cinco postos ofertavam gasolina comum, que era vendida entre R$ 4,49 e R$ 4,59 o litro. Em outros três estabelecimentos, havia apenas gasolina aditivada, custando entre R$ 4,66 e R$ 4,81. Já o etanol foi encontrado em seis postos, ao preço de R$ 2,79 a R$ 3,19. O diesel comum, menos procurado pelos motoristas, foi encontrado em 11 postos, com custo variando entre R$ 3,25 e R$ 3,70.
Mesmo nos postos sem abastecimento havia filas de motoristas, esperançosos de que um novo carregamento chegasse em breve. Em alguns estabelecimentos, esperava-se que caminhões chegassem até o final do dia de ontem ou manhã de hoje, mas na maior parte deles, o prazo era incerto. “Não temos como saber. A demanda está alta, todo o Brasil está esperando combustível e, por isso, fica difícil ter previsão de chegada do produto”, disse um frentista, que preferiu não se identificar. Segundo a Tribuna apurou nos postos, a quantidade de combustível enviada pelas distribuidoras é limitada.
Se nos postos sem atendimento as filas tinham pelo menos um quarteirão de comprimento, naqueles onde havia combustível a distância chegava a ultrapassar os 200 metros. “Sou motorista e preciso do carro para trabalhar. Por isso, não tenho escolha: vou ficar por aqui mesmo”, disse Pedro Guerra, de Apucarana, que já estava na fila de abastecimento há 20 minutos e, mesmo assim, longe da bomba de gasolina mais próxima.
A falta de combustível também criou um tipo novo de consumidor, o que vai abastecer galões. Em dois postos da cidade, a reportagem flagrou a formação de duas filas distintas: uma de veículos, que tinha como destino a maioria das bombas de combustível, e uma de pessoas a pé,  com galões. Nos dois postos, uma bomba de combustível foi separada para atender exclusivamente a este público.
Em Arapongas, vários postos também estavam sem combustíveis ontem. Filas com dezenas de carros foram formadas, tanto nos postos com os produtos em estoque quanto naqueles que continuavam desabastecidos. Os preços praticados eram semelhantes aos de Apucarana.

IVAIPORÃ
Em Ivaiporã, a reportagem levantou, às 15 horas de ontem, que dos nove postos de combustíveis da cidade, somente um atendia os clientes, ainda que apenas para abastecimento com etanol.
A média de espera para abastecimento era de 20 minutos. O vendedor autônomo Paulo Hernandes de Oliveira Souza era um dos motoristas que aguardou na fila para encher o tanque. “Na verdade, acho que é só boato esse negócio de nova greve. Mas, por via das dúvidas, resolvi encher o tanque com etanol mesmo. Já fiquei parado a semana inteira. Mais uma semana sem trabalhar eu quebro”.
Na maioria dos postos da cidade havia previsão de novos carregamentos entre o final da tarde de ontem e o início da manhã de hoje.

De volta às gôndolas, vários itens subiram de preço em Apucarana
Nos supermercados, a maioria dos produtos que ficaram em falta durante os bloqueios das rodovias já retornou às gôndolas. No entanto, o problema enfrentado pelos consumidores tem sido o preço, inflacionado por conta do movimento grevista. No entanto, os valores já estão retornando ao patamar normal.


Osmar Dias Faria, proprietário de uma rede de supermercados de Apucarana, lembra que os produtos que acabaram faltando nos estabelecimentos foram os de hortifrúti, laticínios e perecíveis, como carne. “Uma ou outra coisa faltou, mas temos sorte de vivermos em uma região com abatedouros, agricultores e empresas de agronegócio muito fortes, fazendo com que a reposição desses alimentos fosse feita de modo rápido”, destaca.
Porém, com a falta dos produtos, os preços sofreram inflação, que já está aos poucos perdendo força. “A batata, por exemplo, era vendida a R$ 1,89 o quilo. Depois da greve, o preço disparou, mas hoje já está sendo comercializada a R$ 2,98, com tendência de queda”, diz ele. Em alguns estabelecimentos, o item chegou a custar mais de R$ 5 o quilo.
A cebola era outro item com preços altos. O quilo do produto, que chegou a valer R$ 8 na quarta e quinta-feiras (dias 30 e 31, respectivamente), hoje está sendo vendido a R$ 6. “As cebolas que estão chegando são as importadas, de países como a Espanha e Argentina. Em alguns dias, entrará no mercado a cebola nacional, jogando o preço para baixo”, destaca.

Preços não têm grandes variações em Ivaiporã
Após o feriado e o fim das paralisações dos caminhoneiros em todo o país, os supermercados de Ivaiporã começaram a ser reabastecidos. 
Conforme o gerente de um dos supermercados da cidade, Marcos Belli Aragão, os produtos de hortifruti vindos do Ceasa foram os que mais haviam sumidos das prateleiras. “Produtos como batata, cenoura e banana nanica, mas já estão sendo reabastecidos. O que é produzido na região pelos nossos produtores de Ivaiporã não faltou. O que elevou mesmo foi o preço da batata, de R$ 2,89 agora está a R$ 4,79. Tem um ou outro produto ainda faltando, mas até a tarde teremos mais caminhões chegando”. 
A dona de casa Aparecida Assunção relata que só deu falta de um produto. “As prateleiras estão bem completas. Só não encontrei o mamão papaia, mas do que costumo comprar não dei falta de mais nada. Os preços estão praticamente os mesmos”, relata à consumidora. 
O produtor de bananas de Novo Itacolomi, Valmir Favorito, que atende toda a região de Ivaiporã relata que ficou quase 15 dias sem atender clientela. “Estamos reiniciando hoje, mas com pouco produto. A gente praticamente não mexeu, porque estava climatizando banana. O pouco de produtos que tínhamos, nesses dias parados, ficamos fazendo balas e outros serviços lá na firma”, destaca.
No município, outro serviço que havia sido encerrado com a paralisação foi retomado. Os ônibus do transporte público gratuito voltaram a circular na manhã de ontem. A medida, segundo a prefeitura, traz mais conforto para população.

Boatos de nova greve dificultam normalização
A corrida de muitas pessoas em busca de estocar combustível e gás de cozinha foi causada, em parte, por textos compartilhados em redes sociais e aplicativos de mensagens indicando uma nova greve dos caminhoneiros, que aconteceria nesta segunda-feira (4). Porém, não há nenhuma entidade ligada aos caminhoneiros que assuma a convocação de uma nova paralisação.
De acordo com o caminhoneiro André Pereira, apucaranense e um dos coordenadores dos protestos na região, um novo movimento grevista é bastante improvável. “Tenho certeza de que eu e meus colegas não vamos mais para a rua. Depois de 10 dias de paralisação, nos sentimos tratados como bandidos pela polícia e exército. Foi muito humilhante”, ressalta.
Ele diz que o Governo Federal provocou o enfraquecimento do movimento. “O governo corrupto manipulou o povo pelos grandes canais de comunicação nacional e o povo, infelizmente, não conseguiu enxergar”.
Só a página Boatos.org, que toma para si a responsabilidade de checar a veracidade das informações que circulam nas redes sociais, contou mais de 15 mensagens que ganharam notoriedade pelo compartilhamento via WhatsApp, mas que não são verdadeiras.