Tem moeda? Essa pergunta é quase que obrigatória para quem trabalha como operador de caixa no comércio de Apucarana. Afinal, as moedas são essenciais para completar o troco. Para garantir o direito do consumidor, os estabelecimentos fazem até campanha junto aos clientes, arredondam o preço e, em último caso, dão o famoso e necessário desconto. Dono de um restaurante na cidade, Luciano Facchiano calcula que perde cerca de R$ 20 por dia por falta de moedas. “É prejuízo. O preço já é pensado para facilitar o troco, mas quando falta moeda, não tem jeito: dou o desconto”, afirma.
Para o empresário, as pessoas não têm o hábito de andar com moedas. “As moedas costumam rasgar a carteira ou quando as pessoas as deixam no bolso, acabam perdendo”, diz Facchiano. Outro hábito, segundo ele, é o cofrinho doméstico. “Eu não tenho, mas várias pessoas têm porque gostam de usar as moedas para poupar”, diz.
A frente de caixa de uma rede de supermercados, em Apucarana, Lilian da Silva, acredita que grande parte das moedas estão nos cofrinhos particulares. “É algo muito comum guardar as moedas em casa, mas nós aceitamos as moedas. Aliás, pedimos para que os clientes troquem com a gente. Também fazemos um trabalho junto com igrejas e postos de gasolina, para garantir o troco”, afirma.
Ainda de acordo com Lilian, em alguns casos, é ofertado um “vale”. “Isso é raro”, garante. E claro, essa opção é aceita somente por aqueles clientes que são praticamente de casa, que estão todo dia no supermercado. “Geralmente, a falta de moedas fica mais acentuada no final do mês”, diz.
E as moedas que mais costumam faltar, segundo ela, são as maiores. Depois, as menores, de R$0,05 e R$0,10 começam a ficar escassas. Já para o gerente de um supermercado de Apucarana, Leandro Zafalon, as moedas já estiveram mais escassas. “Estamos até bem equilibrados, mas sempre orientamos os caixas a pedirem moedas para facilitar o troco”, afirma.
Operadora de caixa há 18 anos, Maria do Carmo Dutra Pimenta, garante que consegue controlar o fluxo do caixa, mas com a ajuda dos clientes. “Sempre peço moedas aos clientes, mas muitos só trocam as moedas quando querem esvaziar os cofrinhos”, diz.
O pequeno Mateus Heinz, de 8 anos, é um deles. Ele está aguardando dezembro para esvaziar o cofrinho. “Vou abrir para viajar”, revela. O irmão Leandro, de 23, também faz sua economia doméstica com o troco que recebe. “No ano passado poupamos R$ 250. É mais fácil poupar assim, guardando moedas”, justifica o auxiliar de laboratório.
A Casa da Moeda do Brasil argumenta que é este hábito do brasileiro que ocasiona a falta de moedas no comércio.