Um casal de idosos passou por momentos de terror nas mãos de criminosos ontem de madrugada no Núcleo Habitacional João Paulo, um dos bairros mais populosos de Apucarana. A violência usada no assalto chama a atenção para o problema da segurança pública no bairro e também assustou vizinhos, que não estavam acostumados com este tipo de ação criminosa. Moradores e comerciantes reconhecem que furtos, arrombamentos e até assaltos vêm crescendo de forma gradativa nos últimos meses, acabando com o sossego habitual da localidade.
Na situação de ontem, que aconteceu na Rua Rio Congoinhas, um casal de idosos, de 70 anos, foi surpreendido por assaltantes enquanto dormia, por volta das 3 horas. Ainda visivelmente assustados, os aposentados contaram na tarde ontem à equipe de reportagem como o crime ocorreu. As vítimas contam que acordaram com três bandidos armados com pistolas, encapuzados e usando coletes balísticos já dentro do quarto. “Não ouvimos estourando a porta. Quando vi, já estavam com uma arma na cabeça da minha esposa e uma pistola na minha boca. O tempo todo pediam pelo cofre e joias, mas não temos nada”, avalia.
À procura do tal cofre, os criminosos reviraram armários e arrancaram todos os quadros da parede, mas nada foi encontrado. “Acredito que tenham recebido alguma informação errada, porque não tenho cofre em casa”, opina. O casal de idosos passou quase uma hora refém dos assaltantes, que levaram cinco relógios masculinos em ouro, avaliados no mínimo em R$ 50 mil, e algumas joias.
Os criminosos também levaram três celulares, uma televisão, um notebook, que foram levados na caminhonete das vítimas. Enquanto dois assaltantes providenciavam a retirada dos objetos, um terceiro assaltante ficou na casa com o casal e aproveitou para tomar cerveja, comer chocolate e até recomendar que investissem mais na segurança da residência. Depois de quase uma hora, os comparsas retornaram e devolveram a chave da caminhonete, que foi deixada numa rua próxima. “As coisas materiais a gente recupera, o difícil é o susto. Pedi diversas vezes que não nos matassem. Fiquei com muito medo. Estou até pensando em me mudar”, diz a aposentada.
Uma vizinha do casal, que prefere não ter o nome divulgado por segurança, o assalto quebrou a rotina do bairro. “Ainda é um bairro tranquilo, mas percebemos que têm aumentado casos de furtos e arrombamentos, mas não tínhamos presenciado um caso deste tipo, com tanta violência”, diz.
O comerciante Valdemiro Ferreira da Silva, que trabalha há 30 no bairro, avalia que a criminalidade tem aumentado. No tempo que teve uma mercearia, por mais de 20 anos, foi assaltado uma única vez. Há quatro anos, que está à frente de um bar, teve o estabelecimento arrombado quatro vezes, duas nos últimos seis meses. “Está aumentando a criminalidade. Acredito que um módulo da polícia ajudaria a inibir os arrombamentos e furtos”, avalia.
O farmacêutico Márcio Antoniassi, que tem uma farmácia há 23 anos no bairro, também foi vítima de criminosos recentemente. “Acredito que tanto roubos quanto arrombamentos e furtos têm se tornado mais frequente”, acredita.
Reivindicação
Moradores pedem um módulo da PM
A vice-presidente da Associação de Moradores do João Paulo, Eliana Rocha, avalia que a insegurança tem aumentado nos últimos meses no bairro. Ela credita o avanço da criminalidade ao desemprego e também ao crescimento populacional. Atualmente, moram cerca de 13 mil pessoas no João Paulo e bairros vizinhos, como Guaracy, Sol Nascente e Jardim Primavera. “Percebemos que aumentaram principalmente arrombamentos e furtos. Já assaltos não é tão comum, principalmente como o de hoje (ontem) ”, pontua.
De acordo com Eliana, na última semana, ela junto com o presidente da associação, Elias Pereira da Silva, esteve na Prefeitura fazendo diversas reivindicações, entre elas, a segurança. “Pedimos uma presença maior da Guarda Municipal e também um módulo da PM. Além disso, uma nova reunião será marcada com o Conseg”, adianta.
O comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, de Apucarana, José Francisco Cardoso, avalia que o policial consegue trabalhar de forma mais eficiente e produtiva numa viatura e não num posto fixo, que não está mais em operação. “As viaturas são direcionadas de acordo com o perfil que temos das ocorrências. Por isso, é importante o registro de todas as ocorrências”, afirma.