Familiares de detentos se reuniram na manhã de ontem em frente à Cadeia Pública de Ivaiporã. Eles denunciavam a estrutura precária da carceragem, a superlotação e criticavam a qualidade da marmita fornecida na unidade prisional. A manifestação foi realizada após a divulgação nas redes sociais de uma carta escrita pelos presos relatando as condições do local. A unidade tem capacidade para apenas 32 detentos e atualmente está com 165 internos. As irregularidades, segundo os manifestantes, já foram denunciadas ao Ministério dos Direitos Humanos.
Vanilda Lima Ruiz, mãe de um dos detidos na Cadeia de Ivaiporã, diz que a situação é precária. “As paredes são úmidas, não tem ventilação, nem iluminação. Todos vivem amontoados, no meio do lixo. É desumano como estão vivendo. Se estão ali é porque estão pagando a pena pelo erro que fizeram, mas devem pagar com dignidade”, enfatizou.
Ivone Volpe, que também é mãe de um dos presos, relata que já foi feita uma denúncia ao Ministério dos Direitos Humanos. “Eles estão com uma alimentação péssima, sem higiene nenhuma. Os direitos humanos aqui não estão sendo respeitados. Essa cadeia já foi interditada duas vezes, mas o governo sempre consegue cassar a interdição. Por isso, fizemos a denúncia em Brasília e recebemos a promessa que em 15 dias estarão tomando providências”, afirma.
Maria Aparecida Martins comenta sobre dificuldade de tratamento de saúde dos detentos. “Tem gente aí soropositivo, com diversos tipos de doenças transmissíveis. Infelizmente, muitos estão aí há bastante tempo e não foram julgados ainda, vivendo com presos condenados. Nosso Estado está sendo omisso”, lamentou.
Os parentes também reclamaram proibição da entrada de alimentos fornecida pelos familiares e das visitas. As duas medidas, bem como a da retirada das redes que eram usadas como camas improvisadas nos corredores, foram tomadas na semana passada, após um princípio de rebelião.
DISCIPLINAR
Segundo o delegado Gustavo Dante, as medidas disciplinares tomadas são de praxe em caso de tentativa de motim. “Às vezes, temos que tomar umas medidas para evitar um transtorno maior”, comenta.
Na semana passada, após os presos se agitarem e iniciarem um bate-grade, os agentes do SOE entraram na carceragem e localizaram 10 brocas, celulares e ferros que estavam sendo retirados da própria estrutura da cadeia.
“Então, nós suspendemos a visita e as sacolas por um período até que as coisas voltassem a correr bem”, comenta o delegado.