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Feijão tem alta de 64% e já ultrapassa R$ 12 nas gôndolas

Vanuza Borges

| Edição de 15 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A pensionista Eloísa Dias, 47 anos, de Apucarana, não abre mão do feijão com arroz na mesa. Para manter o hábito consagrado dos brasileiros, ela, que consome um pacote por semana do grão, tem arcado com a alta do produto. O feijão, em menos de um mês, aumentou 64% nos supermercados. Passou de R$ 6,28 em 20 de maio para R$10,28, a versão mais em conta do produto, que chega facilmente a R$ 12,5. No atacado, a alta do feijão foi de 120%. Outro produto que tem assustado os consumidores, é o leite. Em dois meses, o produto teve um aumento de 32%.

Imagem ilustrativa da imagem Feijão tem alta de 64% e já ultrapassa R$ 12 nas gôndolas

O casal Rosana Campos, 41, e Lucimário Fernandes dos Santos, 37, de Califórnia, veio às compras num supermercado de Apucarana, mas desistiu de levar para casa o feijão. “Não vamos substituir o feijão, mas está muito caro. Pela qualidade, que não está boa, decidimos deixar de levar hoje. Vamos pesquisar um pouco”, revela Rosana. Já o leite, este não ficou de fora da lista. “Não e só o feijão ou o leite, tudo está mais caro”, frisa a enfermeira.

Assim como os consumidores, quem compra também sente o impacto da alta dos preços. O chefe do departamento de compras de um supermercado de Apucarana, Adriano Estevan, compara os valores pagos em duas compras. No dia 5 de maio, um fardo com 30 pacotes de feijão carioca saía por R$ 150. Nesta semana, a mesma quantidade saltou para R$330. “Tivemos uma lata de 120% em pouco mais de um mês”, avalia.

Diante da alta, no supermercado em que Estevan trabalha, o produto que antes chegava às prateleiras a R$ 6,29, hoje em dia, está custando R$10,99. Os números revelam uma alta de 74% no bolso do consumidor. “O feijão é um produto de alto giro e não temos como segurar o preço. Por outro lado, se repassarmos o aumento na íntegra, as vendas vão cair”, avalia.

O empresário do setor, Ademir Molinari, de Arapongas, confirma que preço do grão está em alta. Há um mês, ele argumenta que era possível comprar o pacote de feijão, de 1 kg, de qualidade, entre R$ 4 a R$ 6. “Iríamos fazer uma compra esta semana e estava R$ 11 kg. Não compramos. Vamos trabalhar com o estoque que temos”, revela.

Sobre o repasse ao consumidor, o empresário comenta que tem sido feito de forma gradativa. “Enquanto temos estoques, vamos trabalhar com preços intermediários. Quando não tiver jeito, vamos repassar o reajuste”, avisa.

A alta do produto é um reflexo do campo. Com baixa produção por conta de problemas climáticos e redução do plantio, o grão está em falta nos cerealistas.

Leite sobe 31% em dois meses ao consumidor

Outro alimento indispensável na mesa do brasileiro é leite, principalmente no café da manhã. E assim, como o feijão, tem enfrentado altas frequentes e tem chegado na casa dos R$ 3,50 para o consumidor.

O comprador Adriano Estevan, de um supermercado de Apucarana, destaca que o aumento vem ocorrendo há 60 dias. “No dia 3 de abril, pagamos na caixa com 12 unidades, R$ 27,60. Nesta semana, o mesmo produto saiu por R$ 39,60”, compara. A alta no período foi de 31%.

O aumento também foi sentida pelo empresário do setor Ademir Molinari. Nos últimos 30 dias, ele comenta que a caixa de leite longa vida, que era comprada por R$29,4 passou para R$ 41.4. Ou seja, a alta também foi de 31%.

As causas, segundo tanto Molinari quanto Estevan, são de ordem climática. “No caso do feijão, houve uma quebra na produção na região, o que gerou uma escassez do produto”, explica Molinari. Sobre o leite, o empresário argumenta que é o produto que anualmente passa por sazonalidade. “Com a tecnologia à vácuo, proporcionou um armazenamento maior, mas, mesmo assim, está sujeito à flutuação do mercado”, afirma.