CIDADES

min de leitura - #

Feirão de empregos atrai multidão

Vanuza Borges

| Edição de 31 de março de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Com currículo e carteira de trabalho em mãos, o adolescente Marcos Rogério Fortunato, de 17 anos, de Apucarana, acordou cedo em busca do primeiro emprego. Ele chegou à Agência do Trabalhador, de Apucarana, por volta das 7h30, e, depois de esperar por mais de cinco horas, conseguiu uma entrevista. “Ficaram de me ligar amanhã (hoje). Valeu a pena esperar”, disse cheio de confiança.

Imagem ilustrativa da imagem Feirão de empregos atrai multidão

Assim como ele, estima-se que cerca de 3 mil trabalhadores procuraram ontem à unidade durante o 1º Feirão de Empregos, que ofertou 246 vagas. Mais de mil trabalhadores foram atendidos até a metade da tarde de ontem, segundo a Agência do Trabalhador, e mais de 500 receberam senhas para atendimento posterior. Uma grande quantidade de trabalhadores desistiu antes do atendimento.

Por volta das 8 horas, a fila já contornava todo o quarteirão da Agência do Trabalhador, que fica na Rua Renê Camargo de Azambuja. O auxiliar administrativo Endrean Nathan de Lima Marques, 21 anos, por exemplo, almejava um emprego na área de Administração, curso no qual se formou há dois anos. “Sei que isso é reflexo da má administração do governo atual. Mesmo assim, não perco a esperança de arrumar um trabalho”, acredita.

Quem também foi para a fila foi o instrutor de trânsito Denis Cândido Moreira, 30. “Já entreguei mais de 15 currículos, mas está difícil. Neste período, eu me virei fazendo bicos como limpador de carros e jardineiro”, explica.

Diferente dos companheiros, Camila Leite de Melo, 24, está trabalhando atualmente. Ela trabalha como auxiliar de produção e foi para o Feirão analisar as ofertas. “Minha área está desvalorizada, por isso, eu quero ver se consigo algo melhor”, pontua.

O gerente da agência, Lucas Leugi, avalia que a procura é reflexo da crise econômica e também da iniciativa da unidade. “Superou as expetativas. Foram 246 vagas para 25 empresas, que vieram até aqui fazer entrevistas diretas”, sublinha. O salário médio ofertado é de R$ 1,1mil.

Durante todo o dia de ontem mais de mil pessoas foram atendidas. “Começamos a trabalhar às 6 horas, com distribuição de senhas, mas, infelizmente, não conseguimos atender todo mundo, por isso, entregamos 500 senhas para amanhã (hoje)”, justifica.

“Só vamos atender trabalhadores com senhas. Esperamos assim evitar espera desnecessária”, ressalta. A equipe da agência, de 10 colaboradores, ganhou reforço de cinco funcionários da Prefeitura, para ajudar no atendimento.

Segundo Leugi, a oferta é positiva. “Recentemente, Maringá fez um feirão e também ofertou cerca de 250 vagas”, compara. Ele frisou ainda que houve um aumento de vagas neste trimestre. Por dia, são ofertas, em média, 70 vagas.

Trabalhadores reclamaram de desorganização

O excesso de tempo de espera na fila foi motivo de reclamação. A principal queixa era falta de organização. Vários candidatos reclamaram sobre a demora no atendimento e clareza sobre o número de vagas. A auxiliar de escritório Tailiny da Silva, 25 anos, de Apucarana, disse que chegou às 8 horas e foi ter uma resposta apenas às 14h30, que não seria mais atendida ontem. “Fiquei sem almoço na esperança de ser atendida e recebi uma senha agora para retornar amanhã (hoje)”, reclama.

Já o apucaranense Diogo Silva, 23, que está à procura de emprego há 1 ano e três meses, disse que várias pessoas furaram fila. “Cheguei às seis da manhã, preenchi uma ficha e depois falaram que era a ficha para a empresa errada. Pedi para trocarem a ficha e pediram para voltar para o fim da fila”, disse. Silva, que recebeu uma senha por volta das 14h30, garantiu que iria retornar hoje à Agência do Trabalhador.

Segundo a agência, o número de interessados foi muito superior ao esperado. “Peço desculpas, porque não esperávamos este número de pessoas”, justificou Lucas Leugi, gerente da unidade. (Colaborou Fernanda Neme)