A Folia de Reis é uma das tradições religiosas mais fortes em Ivaiporã e já se encontra nas ruas da cidade desde o primeiro dia do ano. É um festejo, onde as cores, e cantos musicais reproduzem a jornada dos Três Reis Magos para visitar o recém-nascido Menino Jesus, em Belém. Em Ivaiporã a festa é celebrada desde 1959 pela Companhia de Reis Ireno Custódio Teixeira. O encerramento da caminhada será amanhã (6), a partir das 16 horas, na capela da Diaconia Santos Reis, no Jardim Belo Horizonte. Para a presidente da companhia, Helena Teixeira Boscardim, 69 anos, a beleza da Folia de Reis está na musicalidade cantada em versos por vários músicos que tocam diversos instrumentos, tais como, violão, violino, cavaquinho, tambores e sanfona, dentre outros. Durante o período de seis dias da festa, a companhia visita mais de 80 moradias. “Numa casa onde por exemplo tem um presépio é cantada desde a anunciação ao nascimento de Jesus. Nas casas onde não tem presépio, é feita a saudação as famílias. Quando encontramos um cruzeiro de flor cantamos o padecimento”, explica Helena.
Outro destaque que chama atenção no grupo são as figuras dos Tiãos (palhaços), personagens mascarados da Folia de Reis. “Eles representam os soldados de Herodes que foram a Belém mascarados a procura do menino Jesus. Quando encontraram Jesus, se arrependeram, ajoelharam, tiraram as máscaras e adoraram o menino Jesus. Por isso, onde tem um presépio eles entram na casa de joelhos e tiram as máscaras”, assinala Helena.
Uma das características da Companhia de Reis Ireno Custódio Teixeira é a grande participação de foliões de diversas cidades do Paraná e também de outros estados, como São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Espirito Santo.
É o caso da engenheira ambiental, Laíza Teixeira, 24 anos, que atualmente está morando em Vitoria, no Espírito Santo. Apesar da pouca idade, atualmente ela é gerente e está sendo preparada para assumir no futuro, a presidência da companhia. “A gente nasce nessa bandeira, aprendendo a seguir essa tradição. É uma festa muito bonita, que tem que continuar. Estamos bastante empenhados em manter a tradição”, enfatiza Laíza.
TRADIÇÃO
Laíza acredita que a tradição da Folia de Reis representa a esperança por um mundo melhor. “A fé é o que faz a gente continuar seguindo. Se isso, um dia acabar, como teremos esperança? Por isso, quanto mais a gente passar adiante essa tradição, mais a gente vai trazer esperança para as pessoas que precisam”, completa Laíza.
Em Ivaiporã, desde o ano passado, o reisado da Companhia de Reis Ireno Custódio Teixeira passou a fazer parte do calendário oficial de Ivaiporã e a contar também com o apoio da Prefeitura através do Departamento Municipal de Cultura.
Aposentado apucaranense participa da festa há mais de 70 anos
Em Apucarana, a tradição de celebrar a Folia de Reis também é mantida. Nas residências visitadas em diversas regiões de Apucarana são arrecadados donativos para os menos favorecidos, numa tradição de solidariedade ao próximo. A chegada da Bandeira das Companhias de Reis, oficialmente, ocorre em 6 de janeiro, data em que os Três Reis Magos encontraram o Menino Jesus.
O aposentado Sebastião Miguel Moreira, de 81 anos, dá um show de disposição e alegria durante as visitas feitas pela Companhia de Folia de Reis do Jardim Trabalhista (zona leste da cidade). Ele conta que mantém a devoção há 73 anos "É uma tradição que passa de pai para filho; participo da Folia de Reis desde quando tinha oito anos, junto com meu pai e minha família, quando ainda morava em Minas Gerais. É uma tradição muita séria, de amor aos Santos Reis e a Jesus Cristo, e não vou parar enquanto tiver forças", garante.
Sebastião acrescenta que a chegada da tradicional Bandeira de Reis em Apucarana vai acontecer às 20h30 de sexta-feira, na Igreja Perpétuo Socorro, no Jardim Trabalhista. "A chegada da bandeira é sempre uma festa muita bonita e depois vai ser servido um jantar. Quem quiser, está convidado a presenciar essa bela celebração, sempre com muito amor e alegria", completa.
A louvação remonta a viagem dos Três Reis Magos (Baltazar, Gaspar e Belchior) ao encontro de Jesus Cristo, através da Estrela de Belém. (LUIZ DEMÉTRIO)