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Força-tarefa de psicólogos vai atender alunos do Canale no retorno às aulas

Silvia Vilarinho

| Edição de 23 de junho de 2022 | Atualizado em 23 de junho de 2022
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Uma força-tarefa foi criada pela Secretaria de Estado da Educação e Esportes (Seed-PR) para preparar o retorno às aulas na próxima segunda-feira (27) e debater eventuais mudanças na carga horária do Colégio Estadual Cívico-Militar Padre José Canale, em Apucarana. O objetivo é dar suporte à comunidade escolar após a morte do estudante Alekson Ricardo Kongeski, de 13 anos, e também analisar adequações, principalmente antecipando a saída dos alunos.

Alekson, estudante do 8º ano do ensino fundamental do Colégio Padre Canale, morreu na última terça-feira (21) após uma briga envolvendo estudantes da escola e também de outros estabelecimentos de ensino no Jardim Ponta Grossa.

Ontem, pelo menos duas grandes reuniões com professores e funcionários do Colégio Padre Canale foram realizadas. O foco foi preparar a volta às aulas após o trauma da morte do estudante e também discutir ações em relação à violência no âmbito escolar.

As reuniões foram comandadas por seis funcionários Seed-PR, que vieram de Curitiba para dar suporte à comunidade escolar. São três integrantes da Coordenação de Direitos Humanos e Diversidade e outros três da coordenação do projeto de ensino cívico-militar na rede estadual.

Lourival de Araújo Filho, coordenador de direitos humanos e diversidade da Seed-PR, explica que dez psicólogos estarão na escola no retorno às aulas, que foram suspensas nesta semana após a morte do aluno.

São psicólogos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR) e também do município. O secretário de Saúde de Apucarana, Emídio Bachiega, participou de reuniões com o grupo de Curitiba e colocou a equipe à disposição.

“Nossa intenção é preservar, principalmente, o estado emocional desses adolescentes envolvidos ou supostamente envolvidos. Logicamente, nos solidarizamos com a família enlutada. É óbvio que ninguém gostaria de passar por isso. Precisamos agora dar suporte às famílias, aos professores e aos demais estudantes dessa escola”, afirma Araújo Filho.

As principais discussões envolvem a abordagem com os alunos na segunda-feira. “Queremos repassar aos estudantes que nós estamos sensibilizados e vamos lembrar de tudo o que aconteceu, mas que precisamos melhorar como seres humanos e adotar alguns cuidados para que a comunidade escolar volte a ser o que era”, diz.

Ele observa que o colégio não apresentava problemas de violência e pondera que a briga foi registrada fora da escola, depois do horário de aula. “É importante lembrar que ninguém tem certeza ainda do que aconteceu, isso cabe a polícia esclarecer”, diz.

O coordenador observa que uma mudança está em debate na escola, que seria antecipar a saída dos estudantes. Como o Colégio Padre José Canale adotou o modelo cívico-militar, as aulas terminam às 18h30. Muitas mães são contra a sexta aula e pedem mudanças. “Estamos discutindo esse assunto, analisando um rol de propostas de melhoria na carga horária escolar. Já era uma discussão anterior, que voltou à tona agora”, diz.


Sepultamento em clima de comoção e clamor por Justiça

Dezenas de pessoas, entre familiares e amigos, acompanharam no final da manhã de ontem, no Cemitério Cristo Rei, o sepultamento do garoto Alekson Ricardo Kongeski, de 13 anos. Ele morreu na noite de terça-feira (21), após uma briga com outros adolescentes, no Jardim Ponta Grossa, após sair da escola. 

O caso, que vem ganhando repercussão nacional, comoveu moradores da região, e está sendo investigado pela Polícia Civil e também por uma comissão especial da Secretaria de Estado da Saúde (Seed).

No sepultamento, o avô do adolescente, o comerciante Carlos Roberto Kongeski, 68 anos, muito abalado, desabafou sobre a dor da família e pediu justiça pelo neto, que considerava como filho. 

“Sou avô e pai. Ele morava comigo. Meu sentimento é de muita tristeza, ele tinha apenas 13 anos, não tinha amizade com esses meninos, era inteligente. Ele ficava em casa, desenhando, no computador. Tinha tanta coisa pela frente, estava juntando dinheiro, já tinha mil reais, guardado para comprar uma bicicleta”, muito emocionado, disse Carlos. 

Carlos espera por justiça. “Seis moleques chutando, tem vídeos, mataram meu neto. Era um menino muito bonito, extrovertido, fazia amizade, um menino que não merecia isso”, desabafou. (SILVIA VILARINHO)