Aos 58 anos, o agricultor apucaranense Renato Iortzchetz esbanja otimismo com o plantio de uvas em seu pequeno sítio, localizado na Gleba Cambira, na Estrada do Bilotti, em Apucarana. Logo nas primeiras horas da manhã, após garantir o trato dos animais da propriedade, seu Renato vai para o parreiral, que é a mais nova aposta de renda. Formado por 1,2 mil pés de uvas niágara (mesa) e bordô (suco), que foram subsidiadas pelo Programa Terra Forte desenvolvido pela Secretaria da Agricultura de Apucarana, a plantação começa a dar os primeiros frutos.
A colheita, a primeira do plantio, será feita esta semana, porém o excesso de chuva registrado nos últimos meses comprometeu em, no mínimo, 50% a produção. O resultado, no entanto, não desanima o produtor. “A estimativa era colher 5 mil quilos nesta primeira safra, mas com a chuva vai para 2,5 mil quilos ou até menos”, calcula o agricultor. Ele, acompanhado do secretário da Agricultura João Carmo Fonseca, explica que o excesso de umidade deixou a produção mais vulnerável às pragas como antracnose, conhecida também como “pinta preta”, e ferrugem. “O tempo não ajudou”, resume Renato.
O agricultor investiu cerca de R$ 11 mil em estrutura e destinou um hectare para o cultivo das uvas. “Se não fosse a ajuda da Prefeitura, eu não conseguiria comprar as mudas, porque cada uma custa, em média, R$ 12”, diz. Ele espera que a próxima colheita seja mais vantajosa. “Com as podas corretas, é possível colher até duas vezes ao ano”, afirma. Ele que estava acostumado com plantio de soja e milho conta com auxílio de técnicos agrícolas para aprender as práticas corretas de plantio e manejo das uvas. As visitas acontecem a casa 15 dias na propriedade.
O secretário da pasta explica que o acompanhamento técnico é essencial, porque os agricultores do município não têm tradição em fruticultura. “O produtor ainda não detém o conhecimento técnico necessário, por isso, o programa faz um acompanhamento sistemático”, assegura.
Fonseca também se diz animado com os resultados, apesar das perdas. “É um ano atípico para a agricultura, mas ainda estamos no primeiro ano e capacitando os produtores. Daqui três anos, quando as plantações já forem adultas e as produções estiverem estabilizadas, no caso das uvas, a expectativa é colher entre 10 a 12 quilos por planta”, avalia.
Outro agricultor que também apostou no programa é Gilliard Bertasso, 30 anos. Dono de uma pequena propriedade rural no Correa de Freitas, ele acredita na diversidade de culturas para garantir renda durante o ano inteiro. No sítio, além de uma granja, Bertasso cultiva 2,5 mil pés de uvas e 1,4 mil pés de figos, que também devem estar prontos para a colheita nesta semana. “Culturas como milho e soja necessitam de uma grande área para ser rentável. Para o pequeno produtor, a fruticultura é uma alternativa porque em um pequeno espaço consegue uma boa produção”, comenta. Cada pé de figo produz, em média, 8 quilos do fruto.
Outro detalhe observado por Bertasso é que a diversificação também envolve toda a família. Com os figos, além de destinar parte da produção para merenda escolar e o comércio local, ele pretende reservar uma parte para produção de doces, que é uma forma de agregar valor ao produto.
Programa incentiva criação de um
novo perfil agronômico para município
Em 2018, o secretário da Agricultura de Apucarana, João Carmo Fonseca, avalia que o município provavelmente terá um novo perfil agronômico. “Daqui a três anos as plantações já estarão adultas e as produções estabilizadas”, frisa. Com isso, a expectativa é que a produção de frutas no município gire em torno de 800 mil quilos a 1 tonelada de frutas por ano. “Vai mudar o perfil agronômico do município”, acredita.
No momento, as principais culturas locais são avicultura, milho e soja. Entre as 80 mil mudas certificas de frutas plantadas pelos agricultores do programa estão maracujá, banana, morango, caqui, goiaba, manga e figo.
O programa teve início em 2013 com 30 famílias. Atualmente, são 120 famílias participantes, que têm por objetivo a diversificação de cultura e de geração de renda no campo. “Além de melhorar a qualidade de vida dos agricultores, o programa visa melhorar a merenda escolar, oferecendo fruta frescas a todos os alunos das instituições de ensino de Apucarana, que é um desejo do prefeito Beto Preto”, destaca.
O secretário comenta também que, diante da expectativa de produção, algumas ações já são estudadas para dar saída às frutas. Além de aumentar a participação dos hortifruticultores nos programas institucionais, incrementar o mercado local, a feira do produtor, também está em negociação um box na Central de Abastecimento (Ceasa/Paraná), para garantir uma boa comercialização dos produtos.
Outra ação que deve sair do papel no primeiro trimestre de 2016 é uma cooperativa, que deverá facilitar a compra de insumos e equipamentos aos agricultores. “Também estamos com o projeto de instalação de uma agroindústria para o próximo ano, para transformação das frutas em polpa”, antecipa. O custo do projeto é estimado em cerca de R$ 800 mil.
Com o período da colheita em aberto e o comércio atendendo em horário especial, nos dias 17, 18 e 19, vai acontecer na Praça Rui Barbosa a III Feira da Agricultura e a I Feira das Frutas.