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Funcionamento de supermercados no feriado gera polêmica

Renan Vallim

| Edição de 28 de março de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Pelo menos três supermercados de Apucarana irão abrir, pela primeira vez, no feriado da Sexta-Feira Santa (30). A medida, respaldada em um decreto presidencial vigente desde o ano passado, causou polêmica. O sindicato dos trabalhadores diz ser contra a decisão. Já a Igreja Católica prega o boicote aos estabelecimentos.

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O decreto em que os estabelecimentos se baseiam foi posto em vigor pelo presidente Michel Temer (MDB) em agosto último e inclui os supermercados no rol de atividades tidas como economicamente essenciais, equiparando-os a instituições de saúde, por exemplo. Na prática, o decreto autoriza o funcionamento aos domingos e feriados civis e religiosos, sem necessidade de negociação coletiva prévia entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores. 
Na tarde de ontem, a Tribuna consultou os cinco maiores supermercados da cidade. Super Muffato, Condor e Cidade Canção já informaram seus funcionários que seus estabelecimentos irão abrir no feriado em questão. Alvorada e Econômico ainda não definiram. Já no Domingo de Páscoa, nenhuma loja irá funcionar.
De acordo com Anivaldo Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Apucarana (Siecap), o feriado deveria ser respeitado. “Pedimos aos mercados que não abram as portas na Sexta-Feira Santa, até para respeitar a crença dos funcionários. Mas, infelizmente, o decreto presidencial nos deixou de mãos atadas. Estamos analisando a possibilidade de entrar com alguma medida judicial. Outra saída seria a criação de uma lei municipal”, afirma.
O decreto é também um dos motivos para que a convenção coletiva do setor não tenha sido fechada ainda. O reajuste salarial anual já está acertado há meses e deverá ficar em torno de 5%. No entanto, o Siecap busca garantir o fechamento dos mercados em alguns feriados. A data-base da categoria é 1º de julho.

BOICOTE
A decisão dos três supermercados de Apucarana em abrir as portas na Sexta-Feira Santa já havia sido tomada no ano passado. Na época, a Igreja Católica se posicionou contra o ato, inclusive pedindo aos fiéis que boicotem os estabelecimentos na data mencionada. Após uma reunião de representantes dos mercados com o prefeito Beto Preto (PSD), no dia anterior ao feriado, os estabelecimentos voltaram atrás.
Neste ano, o posicionamento da Igreja continua o mesmo, como afirma o padre João Ozório de Oliveira, administrador da Diocese de Apucarana. “A Sexta-Feira Santa é um dia em que a Igreja e seus fiéis se recolhem para refletir sobre os nossos mistérios centrais: a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Temos um estado laico, o que garante que todos tenham liberdade para professarem a sua fé. No entanto, esta medida dos mercados vai contra tudo isto”.
A orientação, segundo o padre, é o boicote aos estabelecimentos. “Para a Igreja, é inadmissível que o comércio use o preceito religioso, que dá origem ao feriado, em benefício do lucro. Por isso, a orientação é não comprar nestes estabelecimentos na Sexta-Feira Santa, não contribuir financeiramente com esta medida”, diz.