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Furtos de cargas na BR-376 geram alerta

Renan Vallim

| Edição de 03 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Saques, furtos de cargas e assaltos a caminhoneiros no trecho da BR-376 entre Marilândia do Sul e Ortigueira, o que inclui o município de Mauá da Serra e também a Serra do Cadeado, têm assustado os motoristas. De acordo com a Polícia Civil, o índice de casos chega a um por semana. 

Imagem ilustrativa da imagem Furtos de cargas na BR-376 geram alerta

Pelo menos quatro casos foram registrados no último mês no trecho. Um deles aconteceu no dia 5 de abril, quando um caminhoneiro parou em um posto no trecho para passar a noite e, ao acordar no dia seguinte, descobriu a lona rasgada e oito unidades da carga de pneus subtraídas. Outro caso aconteceu no dia 23, quando um caminhão carregado com produtos de limpeza tombou entre Mauá da Serra e Ortigueira, tendo a carga saqueada.
Dois dias depois, a carga de um caminhão foi parcialmente levada por bandidos durante a madrugada. O veículo, carregado com caixas de leite, estava estacionado em um posto de combustíveis enquanto o motorista dormia. Na mesma data, outro caminhão, carregado com cerveja, teve a carga furtada também durante a madrugada, mas desta vez em um restaurante.
Caminhoneiro há cinco anos, Gilmar Martins trafega pela via várias vezes por semana e conta que tem receio daquele ponto da estrada. “Aqui há muitos assaltos e nós, que conhecemos o trecho, não paramos em qualquer lugar. É preciso escolher bem para descansar ou passar a noite, neste trecho melhor não parar”.
Eder Oliveira da Costa, caminhoneiro há seis anos, afirma que trafega pelo trecho pelo menos duas vezes a cada semana. “Atualmente, o perigo está em todo todo lugar. Eu mesmo já fui furtado uma vez. Não é fácil”.

INVESTIGAÇÃO
Boa parte dos inquéritos vão para a Delegacia de Marilândia do Sul. De acordo com a Polícia Civil, os furtos de carga acontecem constantemente, oscilando entre dois e quatro casos por mês, em média. O delegado Felipe Ribeiro acredita que há um grupo especializado no roubo de cargas atuando na região. “Eles vêm de outras regiões do estado e aproveitam o entroncamento rodoviário de Mauá da Serra e região para cometer os crimes”, avalia.
No entanto, ele afirma que poucos casos são investigados. “A Polícia Civil, infelizmente, não possui recursos para investigar. Temos apenas um investigador por plantão, além de um escrivão e um delegado. Somos delegacia de comarca, o que gera um grande volume de trabalho, mesmo com esta equipe enxuta”.
Segundo ele, a equipe acaba tendo que priorizar outras investigações. “Por lei, precisamos direcionar o trabalho para casos de violência doméstica e crimes envolvendo menores. Quando temos condições, investigamos então os homicídios”, ressalta.

Casos preocupam federação

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, aponta que o furto de cargas é um dos grandes problemas do setor. “Atualmente, o Paraná responde por 2,7% dos casos que acontecem no Brasil. Apesar do problema não ser tão grave quanto em São Paulo ou Rio de Janeiro, que concentram mais de 80% do total, não podemos esperar a situação chegar a um ponto crítico para tomarmos providências”, afirma.
Por isso, a federação faz parte de uma comissão, junto às polícias Civil, Rodoviária Federal e Rodoviária Estadual, além de sindicatos da categoria, que discute periodicamente os problemas de segurança nas rodovias do estado. “É necessário que, sempre que haja um crime contra a carga, seja realizado o Boletim de Ocorrência, para que as políticas públicas sejam incrementadas. A BR-376 é uma das vias mais importantes do estado, ligando importantes mercados até em outros estados ao porto de Paranaguá. É fundamental que ela seja uma via segura para o transporte rodoviário”, destaca Malucelli.