A Petrobras anunciou ontem novo reajuste do gás de cozinha de uso residencial. A alta será de 4,5% e entrará em vigor no próximo domingo. É o quinto aumento consecutivo do botijão de 13 quilos desde junho, quando a empresa mudou sua política de preços. A sucessão de reajustes está revoltando comerciantes e também consumidores.
Em Apucarana, o valor praticado pelo botijão gira hoje em torno de R$ 75 para entrega em domicílio e R$ 70 para retirar no local. Com o aumento, o preço deve variar entre R$ 78 e R$ 79 e R$ 73 e R$ 74, respectivamente, nas principais revendas.
Dono de um estabelecimento do setor no Jardim América, Ivo Guerra estava revoltado com o novo aumento. “Esta situação está insuportável. Todo mês um novo reajuste é anunciado”, assinala. Segundo ele, a margem de lucro das revendas está muito baixa. “Está ficando inviável. Precisei demitir dois funcionários e só estou com um”, assinala.
Ele comentou que no último reajuste, no começo de outubro, as revendas “seguraram” o preço. Inicialmente, o valor para entrega a domicílio chegaria a R$ 80, mas o preço ficou em R$ 75 por conta da concorrência. “Agora, no entanto, não tem como não repassar o novo reajuste”, comenta Guerra.
Rovilson Borbolato, que tem uma revenda de gás no Jardim São Pedro, também reclama. “Está todo mundo revoltado”, assinala, afirmando que também precisou reduzir o quadro de funcionários por conta da queda de vendas e redução da margem de lucro. “Esses reajustes seguidos geram prejuízos para todo mundo. Tem gente investindo em fornos elétricos por causa do preço alto do gás de cozinha, mas a energia também está cara”, observa.
Dono de um restaurante da Vila São Carlos, Eric Canesin Pereira sofre no bolso as consequência do aumento do gás de cozinha. Ele gasta um botijão de 13 kg convencional por semana. “Esses aumentos frequentes prejudicam a gente, mas, por enquanto, estamos segurando o preço para não repassar para o consumidor. Mas se continuar desse jeito não teremos outra saída”, assinala.
Segundo nota da Petrobras, o “reajuste foi causado principalmente pela alta das cotações do produto nos mercados internacionais, influenciada pela conjuntura externa e pela proximidade do inverno no Hemisfério Norte. A variação do câmbio também contribuiu".
Desde que a companhia mudou sua política de preços para o GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha), em junho, a Petrobras já anunciou cinco aumentos consecutivos e apenas uma redução. O reajuste anterior ocorreu em 10 de outubro, quando o preço do botijão ficou 12,9% mais caro.
Na última quarta-feira (30), a empresa havia anunciado aumento também no preço do GLP para botijões maiores do que 13 quilos, mais usados no comércio e indústria. A alta foi de 6,5%.