A Petrobras anunciou ontem aumento de 6,9% no preço do gás de cozinha vendido em botijões de 13 quilos. O reajuste, que entra em vigor hoje, é o segundo apenas em setembro para o consumidor residencial. No começo deste mês, a alta chegou a 12,2%.
Em Apucarana, o preço deve ter alta de 7,6% para o consumidor final, o que representa R$ 5 a mais por botijão, em média. O valor deve passar de R$ 65 para R$ 70, com a entrega em domicílio. Se o cliente optar por buscar na revenda, o preço passará de R$ 60 para R$ 65. Em Arapongas, onde o preço médio do botijão é de R$ 75, o valor final pode chegar a R$ 80.
Proprietário de um estabelecimento do setor no Jardim América, em Apucarana, Ivo Guerra critica a política de reajustes do governo federal. “Sou comerciante, mas também consumidor. É um absurdo esse novo reajuste. A população nem se recuperou ainda do outro aumento, que chegou a 17% para o consumidor final”, assinala Guerra. Ele afirma que já foi informado que um novo aumento vai ocorrer em 5 de outubro. “Ninguém aguenta mais isso”, diz.
Rovilson Borbolato, dono de outra revenda na Rua Talita Bresolin, também reclama da política de preços da Petrobras. “O governo está prejudicando o cidadão com esses reajustes sucessivos. É ruim para o comerciante e também para o consumidor”, assinala. Segundo ele, os clientes estão reclamando, principalmente quem tem empreendimentos comerciais, como padarias e restaurantes.
De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço médio do botijão no país foi R$ 60,14 na semana passada.
Em junho, a Petrobras anunciou uma nova política de preços para o gás vendido em botijões, que tem o nome técnico de GLP (gás liquefeito de petróleo).
A política prevê reajustes mensais de acordo com a variação das cotações internacionais e do câmbio. Desde junho, o preço subiu três vezes e caiu uma.
A estatal pratica outra política para o GLP envasado em vasilhames maiores do que os de 13 quilos, mais usados por comércio e indústrias.
Por recomendação feita em 2005 pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), o produto voltado ao consumidor residencial deve ser mais barato.
Em agosto, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disse que a agência estuda propor o fim da diferença de preços, liberando a estatal para praticar o mesmo valor, independente do tipo de vasilhame.
A proposta deve fazer parte de uma revisão na regulamentação das vendas de GLP no país.