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Gravidez na adolescência preocupa

Da Redação

| Edição de 03 de março de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O alto número de partos em Apucarana e região é algo que ainda preocupante. Segundo informações da 16ª Regional de Saúde (RS), dos 4.547 nascimentos de 2019, 549 foram de meninas de 10 a 19 anos, ou seja, 12% dos bebês nascidos vivos são de mães adolescentes.

Um exemplo é a estudante Stefani Siqueira, 17 anos, que engravidou de Eloá, hoje com 6 meses, quando tinha 16. “Ser mãe no começo foi muito difícil. Quando descobri a gravidez já estava de quase 5 meses e fiquei sem chão porque estava morando uma tia. Porém, ela sempre me tranquilizou. Só que eu sempre gostei de sair e de festas, e sabia que após ser mãe teria diversas responsabilidades”, conta.
Logo depois que soube da gravidez, Stefani contou para os pais. “Minha mãe ficou brava e meu pai ficou triste com o que estava acontecendo. No entanto, o tempo foi passando e todos me ajudaram depois que a Eloá nasceu. Aos poucos fui me adaptando à nova vida e às novas tarefas”, explica. No momento a jovem não está trabalhando, nem estudando. “Por enquanto, cuido apenas da minha filha e conto com a ajuda do meu e com o pai da Eloá. Pretendo voltar a estudar em breve”, espera. 
Para o pediatra Luiz Henrique Veloso, de Apucarana, os adolescentes, pessoas de 10 a 20 anos representam aproximadamente 25% da população brasileira e a gravidez nessa faixa etária constitui um grande problema de saúde no nosso país. “A gestação é um desejo de muitas mulheres, porém quando ocorre na adolescência pode trazer um risco aumentado para complicações maternas, fetais e neonatais, além de problemas socioeconômicos”, explica. 
Ele explica que a maternidade e paternidade exigem responsabilidades legais e sociais com o filho gerado. “Muitas vezes o adolescente não atingiu a independência e maturidade necessárias para os cuidados com um filho, o que pode levar a um número elevado de abortos e negligências com o recém-nascido. Outro ponto a ser levantado é o grande índice de interrupção da vida escolar de adolescentes que engravidam”, acrescenta.

PROJETO
Com objetivo de dar apoio às gestantes adolescentes, o projeto ‘Elos de Vida’, do Hospital da Providência, de Apucarana, funciona desde novembro de 2017. O programa gratuito, atende adolescentes gestantes ou que estão na fase de pós-gestação, e conta com uma equipe multidisciplinar formada por nutricionista, psicóloga, assistência social, médico pediatria e enfermeiro. 
De acordo com o coordenador do projeto, o conselheiro do munícipio David Brito, são realizadas oficinas de primeiros socorros, orientações sobre amamentação, nutrição e psicologia, acolhimento, troca de experiências e palestras sobre os cuidados necessários com o bebê e prevenções fisioterápicas. “Já atendemos nesses dois anos mais de duas mil grávidas adolescentes de 12 a 19 anos. Espero que o programa faça a diferença na vida das mães que participam dos encontros”, afirma. 

“Falta diálogo em casa por parte das famílias”, aponta psicóloga
O Governo Federal, através do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) e do Ministério da Saúde (MS), lançou no início de fevereiro a campanha “Adolescência primeiro, gravidez depois – tudo tem o seu tempo”. Um ponto polêmico da campanha seria a defesa da prática de abstinência sexual por parte dos adolescentes.
Para a psicóloga Lurdes da Conceição Cruz, a defesa da abstinência sexual é a maior dificuldade encontrada na área clínica. “É difícil falar sobre a abstinência com esse público porque falta o básico, que são as informações primárias, desde a infância. Falta diálogo em casa por parte das famílias porque falar sobre sexo ainda é um tabu. Precisamos romper esse ciclo”, detalhou.
Para Lurdes, a questão da gravidez na adolescência precisa ser discutida com responsabilidade e o principal papel dos profissionais envolvidos na área é trazer informação e orientação sobre riscos e responsabilização. “O tema ‘tudo tem seu tempo’ é central nesta campanha, mas o adolescente precisa entender quais sãos os danos e riscos de uma gravidez precoce, não apenas para a saúde, mas para a família e a sociedade como um todo, e as consequências e responsabilidades que isso pode acarretar. Trabalho com adolescentes e posso afirmar que a maioria deles, quando chega na clínica, já estão em sofrimento por uma vida sexual iniciada precocemente, buscando ajuda e orientação nesse sentido. Acredito que o diálogo em casa, a participação das famílias orientando e esclarecendo dúvidas é fundamental para auxiliar os adolescentes em relação a este tema”, finaliza. (ALINE ANDRADE)