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Greve dos bancários gera transtornos

Vanuza Borges

| Edição de 04 de outubro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A greve dos bancários completa hoje 28 dias. Cartazes fixados nas portas das agências sinalizam a continuidade da paralisação, que tem uma das maiores adesões registradas nos últimos anos no Vale do Ivaí. Praticamente todas as agências bancárias dos municípios da região estão fechadas. O resultado são longas filas durante todo o dia de usuários nos caixas eletrônicos. Por outro lado, os clientes buscam alternativas para não ter os compromissos prejudicados.

Cansada das greves, a comerciante Célia Henrique Fernandes, 59 anos, decidiu abrir uma conta numa cooperativa de crédito. “Todos os anos acontece a mesma coisa. Eu decidi abrir uma conta na cooperativa porque consigo realizar todos os serviços de banco e evito dor de cabeça”, revela.

Mesmo com uma conta alternativa, ontem, a apucaranense precisou enfrentar a fila para usar um caixa eletrônico. “Não tenho mais problemas com banco. Hoje foi algo pontual. Preciso pagar um boleto específico”, garante. Célia, neste período, também evita usar sua conta corrente de banco. “Nem deposito cheques para não ter problemas, caso eu precise retirá-los”, comenta.

O microempresário apucaranense Samuel Barbossa dos Santos, 27, também busca alternativas para fugir das filas dos caixas eletrônicos, mas nem sempre consegue. “O banco está em greve, mas as contas chegam em casa. Se eu não pago o fornecedor como vou trabalhar? ”, reclama.

Por outro lado, Santos avalia que é legítima a reclamação dos bancários, porém acredita que o tempo de negociação já passou do limite, o que é um desrespeito com a população. “Os bancos não querem negociar. E nós, como ficamos? Como ficam os nossos compromissos? ”, indaga.

Já o pedreiro José Carlos Frizo, 56, também não conseguiu fugir da fila. Ele foi até uma agência bancária acompanhar a esposa, que precisa sacar a aposentadoria. “Os bancários têm todo o direito e reivindicar os seus direitos, porque não tem crise para os bancos. Eu apoio totalmente”, garante. E para fugir dos bancos, sempre que possível, ele usa os serviços das lotéricas.

Imagem ilustrativa da imagem Greve dos bancários gera transtornos

Negociações estão paradas
Segundo a presidente do Sindicado dos Bancários de Apucarana e Região, Maria Salomé Fujii, a greve prejudica os usuários, mas a paralisação não pode deixar de ser feita diante da perda salarial. “Infelizmente, nós ainda não recebemos uma contraproposta dos bancos e, por isso, não temos uma data estimada para o fim da greve”, justifica.
Os bancários reivindicam reajuste salarial de inflação (9,62%) mais aumento real de 5%. Já a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) tem oferecido aumento de 7% mais o pagamento de um abono de R$ 3.300. Essa proposta foi apresentada no começo da greve, dia 9 de setembro, e foi considerada insuficiente pela categoria. “A perda salarial não afeta somente os bancários, mas o comércio também, uma vez que terá menos dinheiro circulando. Não aceitamos a proposta porque, no ano passado, somente os principais quatro bancos tiveram um lucro de mais de R$ 30 bilhões”, afirma.
No ano passado a greve durou 21 dias e rendeu aumento real de 0,11%. Na região, a greve foi deflagrada inicialmente em Apucarana e Arapongas, onde todas as agências estão fechadas desde o dia 6.