No Hospital Norte Paranaense (Honpar), em Arapongas, foram 17 pessoas aptas a doar órgãos entre janeiro e novembro deste ano. Destas, oito famílias autorizaram a retirada de órgãos, mas nove recusaram, o que representa uma taxa de conversão de 47%. Em todo o ano passado, houveram 23 potenciais doadores, sendo que em 15 casos, a família autorizou a doação de órgãos, o que representa uma taxa de conversão de 65%. Houveram oito recusas.
A diretora de enfermagem e coordenadora da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), de Arapongas, Elza de Lara Bezerra, disse que existem três causas que provocam a recusa da família na hora de autorizar a doação de órgãos: a falta de conhecimento de desejo da pessoa em doar, desinformação sobre o procedimento e o desejo de deixar o corpo do parente falecido íntegro.
“É preciso que as pessoas conversem sobre o assunto em casa. Se eu sou doadora e aviso minha família, na hora que ocorrer o falecimento a família sabe do desejo. A desinformação é muito grande também. Não entender a importância da doação de um órgão. A falta de informação gera a recusa. A questão da família querer corpo íntegro é uma questão pessoal. O familiar acha que vai perder um pedaço da pessoa, mas na verdade estará ajudando outras tantas que estão sofrendo, na fila, à espera de um órgão. Se não houver conscientização, se não abordarmos a importância da doação constantemente, fica muito difícil”, explica.
Elza ressaltou que, apesar da taxa de conversão menor e com mais recusas, o Honpar tem um número expressivo de doações. “A pandemia atrapalhou muito a retirada dos órgãos. Ficou praticamente parado de março até agora, sem poder captar por causa da Covid, mas mesmo assim conseguimos realizar procedimentos”, disse.