Uma ideia simples que vem ganhando adesão nas maternidades vem trazendo bons resultados na recuperação de bebês prematuros. Polvos confeccionados em material esterilizável e antialérgico são colocados junto com os recém-nascidos nas incubadoras. Criado na Dinamarca, o 'brinquedo' reproduz com os tentáculos parte do ambiente uterino e, ao ser manipulado pelos bebês, ajuda a minimizar o impacto do ambiente hospitalar, melhorando índices de recuperação e evitando que as crianças acidentalmente arranquem sondas e tubos de alimentação.
Na região, os polvos já vinham sendo adotados no Instituto de Saúde Bom Jesus, de Ivaiporã e agora estão auxiliando também os bebês da UTI do Hospital da Providência Materno Infantil, de Apucarana.
Nas duas instituições de saúde, o projeto só foi passível de implantação após a ação de voluntários. Os polvos são confeccionados em crochê de modo artesanal. Quando a criança recebe alta leva o brinquedo consigo como lembrança e também como parte do processo de recuperação. Em Apucarana, os brinquedos estão sendo produzidos pela Ong Soldados em Cristo e pela Rede de Mulheres Solidárias, que vem desenvolvendo um papel importante de incentivo ao artesanato e a economia solidária local, e por uma das enfermeiras da unidade.
Os polvos das UTIs neo natais resgatam um conceito fundamental na área de saúde que começa, enfim, a ganhar devida atenção: a humanização do tratamento médico.
Em um país onde, não raro, a violência ao paciente começa antes mesmo de se conseguir acesso ao atendimento, quando se obriga o doente a esperar meses por uma consulta especializada ou um exame, apostar em humanização pode ser revolucionário.
Revolucionário e profundamente eficiente. Os polvos da UTI neo natal, o método canguru, que aposta no contato entre a pele do recém-nascido e dos pais para ajudar no ganho de peso, o banho quente e as massagens que aliviam as dores do parto estão entre as técnicas simples e comprovadamente eficazes que vêm ganhando destaque nos hospitais.
Humanizar o atendimento nada mais é que colocar a o olhar da estrutura de saúde de onde ele nunca deveria ter saído: nas necessidades do paciente. Pode parecer paradoxal, mas o sistema de saúde inúmeras vezes ignora o fato fundamental que o paciente não é apenas número, estatística e uma doença a ser tratada, mas uma pessoa com necessidade de conforto, inclusive físico, atenção e um pouco de empatia. Não custa tanto assim investir no polvo de brinquedo do berçário, em cadeiras confortáveis para que o paciente espere e em tratamento respeitoso dos envolvidos.
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