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Idosos representam 18% dos motoristas

Vanuza Borges e Ivan Maldonado

| Edição de 06 de novembro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Em nome da autonomia, aos 62 anos, a apucaranense Maria Navarro, decidiu que hora de aprender a dirigir. A decisão foi tomada em 2002, logo após a morte do marido, seu Francisco Gomes Navarro. “Eu precisava continuar indo à igreja, levando comunhão aos meus doentes e fazendo compras no supermercado”, revela. Hoje, aos 76 anos, ela não abre mão da mobilidade. “Dirijo com muita responsabilidade”, garante. Dona Maria faz parte de um público cada vez maior, o de idosos ao volante. Na região, 18% dos motoristas têm mais de 60 anos.

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De acordo com dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR), dos 137,5 mil condutores habilitados em Apucarana, Arapongas e Ivaiporã, 25 mil são idosos, ou seja, têm mais de 60 anos. Um outro levantamento do órgão, feito com motoristas acima de 55 anos, aponta um crescimento expressivo deste perfil de condutores. De 2011 para 2016, houve um aumento de 55%, passou de 13 mil para 20 mil em cinco anos.

Em Apucarana, dos 62.089 dos condutores, 10.222 são idosos, o que representa 16%. Entre os condutores idosos, 79% são homens. Em Arapongas, 14% dos 58.802 condutores têm mais de 60 anos. Em números representam 8.285 motoristas nas ruas do município, sendo 80% homens. Em Ivaiporã, o percentual é ainda maior, 40% dos condutores é formado por pessoas acima de 60 anos. Dos 16.683 condutores, 6.776 são idosos. Os homens representam 86%.

Dona Maria, por precaução, não dirige fora da cidade. “Eu sei que tenho capacidade e também segurança no que faço, mas não me atrevo por precaução. Não sei como será o meu reflexo numa situação de estresse, por isso, prefiro evitar”, diz.

Já o taxista Euclides Saltini, de 81 anos, não tem receio de pegar a estrada. Caminheiro durante toda a vida profissional, ele não hesita em pegar o carro e ir para Curitiba a passeio, por exemplo. “Trabalho de segunda a sábado, das 7h às 18 horas. Não queria ficar em casa sozinho. Aqui converso com os amigos e com os clientes, e o tempo passa mais rápido”, diz.

Sobre ficar em casa descansando sentando numa cadeira na varanda, não é do seu feitio. Ele prefere chegar em casa junto com a esposa Marlene Bertolli, 56 anos, que também trabalha todos os dias da semana. “Saímos e voltamos juntos”, diz. E a receita de tanta vitalidade aos 81 anos, seu Euclides não faz segredo: “Não tem segredo. Só gosto de dormir cedo e cuido da alimentação”, garante. No prato não pode faltar a tradicional combinação de arroz com feijão, carne e salada.

Mesmo considerado idoso, seu Euclides garante que a idade não compromete seu desempenho no trânsito. “Continuo o mesmo. Nem de óculos eu preciso ainda”, brinca. E nesses vinte anos de taxista, a tranquilidade deixou a sua marca. “Sempre foi muito tranquilo. Nunca fui assaltado”, afirma.

‘Trânsito não impõe limite de idade’

Em Ivaiporã, 40% dos condutores têm mais de 60 anos. Um deles é o metalúrgico aposentado, Guilherme Tozatti, 72 anos. “O trânsito não impõe limites de idade. Dirijo desde os 20 anos, vou para Maringá, Londrina e até outras cidades mais distantes. A única coisa que mudou é que antes eu não usava óculos para dirigir, agora uso e também tenho que renovar a carteira a cada três anos”, relata Tozatti.

Para ele, existe um estereótipo de que a pessoa idosa ao volante tem dificuldades para dirigir. “Proporcionalmente, os acidentes ocorrem mais com pessoas novatas ao volante do que com idosos. Na verdade, com a idade ficamos mais cautelosos e com muita mais experiência”, comenta Tozatti.

O servido público aposentado Ari Bender, 77 anos, também de Ivaiporã, costuma viajar rotineiramente para as cidades Prudentópolis e Guarapuava. “Por ser diabético, a visão piorou. A maior dificuldade é em rodovias onde as faixas estão pouco visíveis ou apagadas. Mas, quando isso acontece, passo o volante para minha esposa que tem a visão melhor”, explica Bender.

A reclamação de ambos motoristas é com relação a vagas de idosos na cidade. Embora Ivaiporã tenha pelo menos uma vaga em cada esquina, dificilmente eles conseguem estacionar. “Sempre está ocupada e geralmente por pessoas mais jovens. Uma verdadeira falta de educação. Tem que ser mais bem fiscalizado”, reclama Bender. (IVAN MALDONADO)