Simpático, o pequeno João, 5 anos, à primeira vista não se destaca dos outros alunos do pré-I. O que se nota logo que se chega à sua sala, entretanto, é a companhia ao seu lado, a chamada professora de apoio. João é um dos 26 estudantes diagnosticados com autismo na rede municipal de Educação de Apucarana. Em todo município, são 43 matriculados na rede pública - 17 estão na rede estadual de ensino - amparados pelo decreto federal 8.368, de 2014, que trata da inclusão do autista.
Na escola Municipal Braga Cortes, onde João estuda, atualmente são 3 alunos autistas com acompanhamento de professora de apoio dentro de um universo de 400 crianças. A diretora Édina Mansano, explica que os professores de apoio acompanham o aluno durante o turno regular, junto com a professora regente em sala de aula. No contraturno, o estudante frequenta salas de recurso, com atividades dirigidas. Ela admite que a inclusão é um desafio diário que varia de acordo com cada aluno, cada situação familiar. “Atualmente, a grande vantagem é que o autismo vem sendo diagnosticado cada vez mais cedo, muitas vezes dentro do ensino infantil”, destaca.
Diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) como um caso leve dentro do ensino infantil, João tem menos dificuldades de aprendizado que outros alunos autistas. Apesar de falante quando a reportagem esteve em sua sala, nem todos seus dias são assim. “Nos dias ruins, a convivência fica mais difícil”, comenta a professora Mara Guimarães, que acompanha João.
A capacitação de professores e acompanhamento de alunos com necessidades diferenciadas é feita pelo Centro de Apoio Multiprofissional ao Escolar (CAME) da Autarquia Municipal de Educação. Segundo a coordenadora Leia Sofia Viale, a proposta “Temos uma professora no Came, a Josiane Ferreira, que é especialista em autismo e passa semanalmente em todas as escolas com alunos autistas para verificar currículos, fazer adaptações e realizar o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos”, comenta.
Ela destaca que a bem sucedida inclusão no ensino regular depende de vários fatores, incluindo apoio familiar. “Além de olhar os alunos, nós olhamos também a família dentro do projeto Viver e Conviver com o Autismo que deu tão certo que gerou inclusive uma associação”, afirma referindo-se a recém criada Associação de Pais e Amigos dos Autistas Paranaenses (AMAA).
A associação e o Came são responsáveis por uma ampla programação durante toda a semana para marcar o Dia Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado ontem.
Ampliação na rede estadual
O número de estudantes autistas na rede estadual de ensino do Paraná tem crescido nos últimos anos. Em 2018, há 745 alunos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista, matriculados em 473 escolas. Em 2015, eram 492 alunos autistas matriculados. Nos 17 municípios da área do Núcleo Regional (NRE) de Apucarana são 43 alunos matriculados, que são acompanhados por 31 professores.
De acordo com a chefe do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação, Siana Franco Bueno, este aumento não se reflete apenas como um desafio para a educação, mas para toda a sociedade.
Os estudantes que estão matriculados na rede pública estadual são atendidos, quando necessário, por um professor de Apoio Educacional Especializado. “No entanto, é importante ressaltar que o fato do estudante ter diagnóstico de autismo não o credencia ao professor de apoio. A devida comprovação da necessidade é feita por Estudo de Caso”, explica Siana. (AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS)