O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, fechou 2022 com uma taxa de 5,79% acumulada no ano. Embora o índice tenha ficado abaixo dos 10,06% acumulados em 2021, o país fechou o ano com índice acima da meta definida pelo governo, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o economista Rogério Ribeiro, professor do campus apucaranense da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) os vilões da inflação foram os alimentos que tiveram alta de preços de 11,64% no ano, acima dos 7,94% de 2021. Os itens com maiores altas foram a cebola: (130,14%) e batata (51,92%).
“O aumento até poderia ser maior, porém os preços administrados reduziram.
Isto por conta da queda no custo dos combustíveis, gás de cozinha e da energia elétrica”, analisa o professor.
A previsão para este ano é que os alimentos continuem em alta, puxando os preços para cima. “Se a cotação do dólar se mantiver no patamar acima de R$ 5 os alimentos continuarão encarecendo. Também temos a incerteza sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. Em resumo, teremos inflação acima do teto da meta para 2023.
Dificilmente o governo conseguirá reduzir a inflação neste primeiro ano de mandato.”, alerta.
Além dos alimentos, também tiveram impacto importante os gastos com saúde e cuidados pessoais, que ficaram 11,43% mais caros. O grupo de despesas vestuário, por sua vez, teve a maior variação no mês: 18,02%.
Os transportes ajudaram a frear o IPCA de 2022, ao registrarem deflação (queda de preços) de 1,29% no ano. Esse grupo de despesas havia acumulado inflação de 21,03% no ano anterior.
O grupo comunicação também fechou o ano com deflação: -1,02%. Os demais grupos apresentaram as seguintes taxas de inflação no ano: artigos de residência (7,89%), despesas pessoais (7,77%), educação (7,48%) e habitação (0,07%). (CINDY SANTOS COM AGÊNCIA BRASIL)