CIDADES

min de leitura - #

Intérpretes de Libras auxiliam em julgamento inédito em Arapongas

DA REDAÇÃO

| Edição de 05 de novembro de 2021 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Um homem acusado de matar a ex-namorada em Arapongas foi julgado ontem em um Tribunal do Júri considerado inédito que foi realizado com o auxílio de três intérpretes de Libras, uma vez que o réu, Renato Aparecido Volpato, que foi condenado, é surdo. 

O crime aconteceu em 2016. Patrícia Aparecida de Lima, também deficiente auditiva, foi encontrada morta no dia 29 de abril em uma plantação de milho, na divisa entre Arapongas com o município de Rolândia.
Segundo consta na denúncia do Ministério Público, o acusado matou a ex-companheira entre os dias 21 e 22 de abril de 2016. Ele foi preso em julho do mesmo ano pela Polícia Civil, mas teve liberdade provisória concedida em dezembro mediante a aplicação de medidas substitutivas da prisão. 
O julgamento já deveria ter acontecido, mas por causa da pandemia da Covid-19, foi adiado algumas vezes. Como o réu é surdo, foi necessário preparar toda uma estrutura especial para o andamento dos trabalhos. Além dos intérpretes em Língua Brasileira de Sinais (Libras), que garantiram que o réu pudesse acompanhar todos os pronunciamentos, a juíza Leane Cristine do Nascimento Oliveira Donato, determinou a confecção de máscaras de proteção individual transparentes, que possibilitassem leitura labial. 
“É algo inédito na região. O Tribunal de Justiça se esforçou muito, resolvemos adaptar todo o tribunal, toda a nossa sala para atender a esse júri tão especial. Foi um grande desafio, são três intérpretes que estão nos auxiliando e essas máscaras transparentes foram confeccionadas por nossas colaboradoras especialmente para esse dia”, explica a juíza.
Fernando Moscatto, chefe do cartório da 1ª Vara Criminal, também destacou a importância da inclusão. “Um júri bastante atípico, pois envolve pessoas com problemas de audição e nos preparamos de forma diferenciada. Com atuação de intérpretes, é muito necessária essa adaptação. No Paraná, um júri assim para nós é novidade, pelo menos de nosso conhecimento. São muitas pessoas intimadas e a situação envolve dois fatos em um mesmo crime, o feminicídio e a violência doméstica, que é um assunto bastante relevante na sociedade hoje”, finaliza.
Após mais de nove horas de julgamento, o réu foi considerado culpado e condeado a 13 anos de reclusão e 20 dias multa a ser cumprido inicialmente em regime fechado, com possibilidade de recorrer em liberdade.