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"Invisibilidade" da população LGBTI preocupa militantes em Apucarana

Aline Andrade

| Edição de 30 de junho de 2019 | Atualizado em 01 de julho de 2019

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Nesta sexta-feira, 28 de junho, é celebrado em todo o mundo o Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex). Estimativa da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), aponta que esta população no Brasil é estimada em 18 milhões de pessoas, número que representa cerca de 10% da população nacional. Em Apucarana, ainda não existe uma apuração que aponte a quantidade desta população no município.

Para membros da comunidade LGBT em Apucarana, o preconceito e a falta de inclusão social são as principais demandas na cidade. Militante ativista da causa trans em Apucarana, Renata Borges Branco é estudante de engenharia têxtil da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Ela conseguiu realizar a alteração do nome e gênero nos documentos em 2016, depois de 12 anos de tentativas junto a Justiça do Paraná, que ela classifica como conservadora. Com a alteração, Renata inicia sua carreira acadêmica em 2017.

Para ela, as dificuldades da comunidade Trans e LGBT em geral em Apucarana e na região, começam principalmente com a falta de políticas públicas que atendam essa população. “Não somos respaldados por nada, existe uma dificuldade muito grande dos órgãos públicos dialogarem com a comunidade LGBT, o interior tem essa invisibilidade com as violências que ocorrem com os corpos LGBTs. Essa dificuldade eu digo desde o acesso à saúde, que a gente vê que não existe um espaço de discussão dentro da prefeitura para o atendimento dessa população, nós não temos acesso a empregabilidade, não existe nenhum programa de empreendedorismo voltado à população LGBT, sem contar que dentro da minha população de transexuais e travestis, 92% vivem na prostituição e a gente vê a omissão do Estado, do poder público, com essa população”, afirma.

A militante acredita que não existem políticas efetivas para que haja um avanço na questão da inclusão. “Avanço para o cenário LGBT em Apucarana talvez aconteça quando o município tiver uma secretaria LGBT que convide essa população para um diálogo, para ouvir nossos anseios, nossas torturas, nossos massacres, talvez nesse dia eu veja algum avanço, hoje eu não vejo. Dentro da universidade eu sou a única mulher trans, então alguma coisa está errada com o sistema, onde é que estão a população de transexuais e travestis que não estão entrando nas universidades? Isso é triste”, diz Renata.

Bruno Henrique Carvalho, 25 anos, é vendedor e mora há 11 anos em Apucarana, vindo de São Bernardo do Campo, ABC Paulista. Gay, ele não tem problemas em assumir sua sexualidade, mesmo depois de vir morar em uma cidade menor, onde, segundo ele, o preconceito é mais nítido. “São Paulo é uma metrópole, a diversidade de estilos e pessoas é muito maior. Aqui temos menos liberdade para nos expressar por ter uma população mais conservadora. Já a questão da violência aqui é menor que lá. Mas o preconceito está em todo lugar, sofro muito em questão de agressões verbais, as pessoas me desrespeitam pela forma como me visto e ando”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem "Invisibilidade" da população LGBTI preocupa militantes em Apucarana

Bruno Carvalho: dificuldade para colocação profissional | Foto: Maicon Sales

De acordo com ele, a maior dificuldade encontrada em Apucarana e região hoje para os gays, é para conseguir trabalho. Ele diz que em algumas situações se sentiu menosprezado pelo fato de demonstrar ser gay, inclusive em sua forma de vestir. “Ainda sinto muita resistência em relação a isso, você realmente ser quem você é na hora de arrumar um emprego. Hoje estou trabalhando e superei isso, mas muitas vezes ainda sofro preconceito por parte dos clientes que atendo também”.

O vendedor acredita que o preconceito LGBT é o pior, porque é o único em que a vítima não encontra acolhimento dentro da própria família. “Você sofre na rua, as pessoas te olham torto e te julgam e quando você chega em casa, você não tem o amparo da família. No meu caso mesmo foi bem difícil, demorou muito para minha mãe aceitar”, revela.

Origem da data

O Dia do Orgulho LGBT é celebrado em 28 de junho em homenagem a um dos episódios mais marcantes na luta da comunidade gay pelos seus direitos: a Rebelião de Stonewall Inn. Em 1969, esta data marcou a revolta da comunidade LBGT contra uma série de invasões da polícia de Nova York aos bares que eram frequentados por homossexuais, que eram presos e sofriam represálias por parte das autoridades. A partir deste acontecimento foram organizados vários protestos em favor dos direitos dos homossexuais por várias cidades norte-americanas. 

Políticas Municipais

De acordo com a secretária de Assistência Social do município Ana Paula Sobreira Moraes Nazarko, não existem na pasta programas voltados exclusivamente para a comunidade LGBT, porque, de acordo com ela, eles têm os mesmos direitos que todos os cidadãos. “Não existe diferença entre os cidadãos por escolha de gênero ou opção sexual, todos têm direitos iguais e devem ser respeitados. As políticas públicas existentes contemplam toda a população, e todos são atendidos conforme as suas demandas”, afirmou.

Emídio Alberto Bachiega, vice-presidente da Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana, explica que são realizadas algumas atividades em apoio a eventos promovidos pela comunidade LGBT na cidade e que existe um projeto desenvolvido junto ao setor de residência da autarquia, chamado Coletivo da Diversidade, porém não há nenhuma política pública municipal na área da saúde específica para a comunidade LGBT.