O cardeal João Braz de Aviz, membro da Cúria Romana no Vaticano, visitou Ivaiporã no final de semana para participar de das comemorações dos 60 anos da Paróquia Bom Jesus. Em entrevista à Tribuna, ele falou sobre a sua trajetória na Diocese de Apucarana, onde foi ordenado padre por Dom Romeu Alberti em 1972 e relembrou sua passagem pela cidade no início da década de 1980, onde exerceu o sacerdócio e foi vigário episcopal de 20 paróquias da região sul da diocese.
O cardeal disse que parte de sua história estava sendo recuperada com a visita. “Era um período da minha juventude e Ivaiporã sempre foi uma comunidade muita viva, muito disposta, com lideranças muito boas”, destaca o cardeal.
Dom João Braz de Aviz também relembrou o episódio na região de Pitanga que quase lhe tirou a vida. Em 1984, o então sacerdote ficou em meio ao fogo cruzado sobre uma ponte, entre assaltantes e agentes de um carro forte, sendo atingido por estilhaços de escopeta calibre 12 no abdome e no olho esquerdo. “Naquele momento tem três coisas que eu não vou esquecer jamais e me seguraram em todo o meu trabalho. O primeiro, eu sei que Deus é pai e me ama. Segundo, a certeza que eu era pecador e precisava melhorar”.
A terceira coisa que ele pediu a Deus foram mais 10 anos de vida. Na época, ele estava com 36 anos. Segundo Dom João Braz de Aviz, a resposta veio como pergunta. “Mas escuta e eu morri com que idade? Ai gorou tudo. Eu tinha três anos de lambuja”, brinca o cardeal, referindo-se à idade que Cristo morreu, aos 33 anos. “Os dez anos foram para frente e na virada que completou o prazo fui chamado para ser bispo. Dali para frente toquei o ministério sem olhar para trás. O que parecia uma tragédia para mim foi uma graça”, ressalta. (IVAN MALDONADO)