Um apucaranense de 20 anos foi preso em flagrante anteontem à tarde quando tentava sacar R$ 4,7 mil de sua conta corrente na agência do Banco do Brasil. O dinheiro, segundo a Polícia Civil, era fruto de um golpe aplicado em um analista de sistemas, de 63 anos, em Campinas, interior de São Paulo. A vítima depositou o valor por um suposto serviço de guincho na Rodovia Anhanguera, em São Paulo. Quando percebeu que havia caído no golpe, a vítima ligou para o banco e pediu para bloquear o depósito. O gerente o Banco do Brasil de Apucarana avisou a Polícia Civil e quando Marcelo Felipe da Silva, 20 anos, compareceu à agência para retirar o valor foi preso em flagrante por estelionato.
Segundo a polícia, o apucaranense, que não tem antecedentes criminais, integra uma quadrilha que aplica golpes em rodovias paulistas. Sem participar diretamente do golpe, ele emprestava sua conta para os depósitos. “Em dois meses, numa única conta de Silva foi depositado R$ 20 mil dos golpes aplicados em várias regiões do Brasil”, afirma o delegado do caso, José Aparecido Jacovós, da 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana. Em nome do rapaz, a polícia rastreou três contas, as outras duas são na Caixa Econômica e no Bradesco. Na delegacia, Silva argumentou que ficava apenas com 10% dos valores sacados.
O golpe aplicado na vítima de Campinas é uma variação do golpe do mecânico. Um suposto funcionário de uma empresa de guincho ligou e disse que o sobrinho da vítima – ele deu o nome do rapaz - tinha sofrido um acidente na rodovia. Como o sobrinho sempre faz esse percurso para trabalhar, o analista de sistemas acreditou e pagou pelos supostos serviços.
Quando conseguiu falar com o sobrinho, a vítima percebeu o golpe, registrou queixa e ligou para o banco. O gerente da agência de Apucarana identificou o golpe e acionou a polícia. Com a conta bloqueada, Silva precisou entrar na agência para resolver tentar sacar os valores e acabou preso em flagrante.
Ainda de acordo com o delegado, há indícios que parte da quadrilha reside em Apucarana. “No celular de Silva, encontramos várias conversas com um rapaz identificado como Júnior, que é quem tem o contato com o restante da quadrilha”, diz. Equipes da Polícia Civil trabalham para identificar este integrante, que até ontem à tarde não havia sido localizado. Para o delegado, a quadrilha tem, no mínimo, de três a quatro integrantes, que não agem em Apucarana.
O delegado orienta a não passar informações por telefone. “O ideal é desligar a ligação e entrar em contato com a pessoa em questão, porque é com a informação da vítima que eles convencem”, orienta.
Jacovós frisa ainda que outra estratégia usada pelos golpistas é o golpe da cirurgia. Neste golpe, os criminosos identificam parentes das vítimas que passam por tratamento médico, e falam que esta precisa de uma cirurgia urgente.