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Juro alto torna consórcio mais atrativo

Renan Vallim e Ivan Maldonado

| Edição de 28 de fevereiro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A alta de juros e as restrições ao crédito colocaram o consórcio em evidência. Alternativa para quem quer fugir das altas taxas de juros e fazer um investimento a longo prazo, seja em um automóvel, maquinários agrícolas, imóvel, ou outros bens e serviços, a modalidade anda despertando maior atenção junto aos consumidores. Conforme dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), de janeiro a dezembro de 2015 houve um aumento na procura do serviço de 13,9% comparado ao mesmo período do ano anterior.

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A maior procura pelo consórcio também é registrada no Vale do Ivaí. Em Jardim Alegre, por exemplo, na unidade do Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), o volume de negócios nessa modalidade aumentou 20% em 2015. Segundo o gerente da unidade, Jean Correa Bonato, para 2016 a tendência é que os bons resultados do setor se repitam, com expectativa de crescimento de 35%. “A população quer continuar comprando bens. Diferente de um empréstimo, o consórcio é uma forma mais planejada e funciona como uma poupança onde se cobra apenas a taxa de administração”, explica.

No segmento de imóveis, por exemplo, a taxa de administração no Sicredi é de 9% no período contratado, o contrato é de 180 meses. Bonato também lembra que no consórcio de imóveis urbano, os consumidores podem usar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para pagar parcelas, ofertar lances, quitar ou complementar o valor da carta de crédito.

O comerciante Odéssio de Godoy Bueno Neto, adquiriu uma cota de consórcio de veículo e no primeiro mês foi contemplado. Com a carta de crédito ele adquiriu uma camionete Montana seminova. “Foi um ótimo negócio, assim que eu quitar esse vou fazer outro para comprar um imóvel, ou quem sabe trocar o carro que foi contemplado agora”, relata Neto.

Já o agricultor Pedro Marcos Caiero comprou a primeira cota há dois meses. Ele pretende com o investimento, no futuro comprar equipamento agrícola. “Meus maquinários estão todos bons no momento e como não tenho pressa para comprar é uma forma de poupança forçada. É um investimento muito interessante, onde não vou pagar juros”, completa Caiero.

As vantagens dos consórcios são diversas, inclusive contratar alguns tipos de serviços, que antes precisaria fazer um empréstimo, tais como, festas de casamento, viagens, cirurgia plástica, tratamentos de saúde, dentre outros. O valor do crédito é pago em parcelas mensais, de acordo com a duração escolhida e prevista em contrato. Todo mês alguém é sorteado, e poderá utilizar a carta crédito.

Menos burocráticos e mais acessíveis

Em Apucarana, a procura por consórcios também está aumentando. De acordo com o gerente de negócios do Sicoob de Apucarana, Victor Hugo Ribeiro, o consórcio está bem mais atrativo. “A taxa de juros mais alta torna o financiamento, tão popular nos últimos anos, como algo menos atrativo, fazendo com que o consórcio seja uma modalidade de investimento melhor. Com isso, estamos sentindo uma maior procura dos clientes”, diz.

Os consórcios têm ainda a vantagem de serem menos burocráticos e mais acessíveis à população. Enquanto que financiamentos exigem um levantamento minucioso da renda do cliente e histórico financeiro, o consórcio não faz mais do que um levantamento no SPC/Serasa para aprovar o crédito.

Gerente geral do Bradesco de Apucarana, Verci Antônio Marin conta que, mesmo mais atrativo, o consórcio ainda não ultrapassou o financiamento na procura dos clientes. “Muita gente ainda quer o veículo na hora, fazendo com que o financiamento seja a opção escolhida. No entanto, quem tem um pouco de paciência opta pelo consórcio e leva vantagem a longo prazo”, conta.