Ao contrário de boa parte de produtores de soja do estado, que estão preocupados com a quebra na safra de soja, principalmente, nas regiões Oeste e Sudoeste, onde a estiagem pode derrubar a produção em torno de 30%, nos 22 municípios da área e abrangência da regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) de Ivaiporã, os agricultores estão otimistas e aguardam uma ótima temporada, que vem sendo favorecida pelas boas condições climáticas.
Na região de Ivaiporã, segundo dados do escritório regional do Departamento de Economia Rural (Deral), dos 303 mil hectares plantados com a leguminosa, 80% apresentam boa condição de lavoura, 18% condição média. Apenas as lavouras precoces semeadas em setembro, que correspondem a 2% da área, estão em condições ruins. A expectativa é colher, em média, 145 sacas por alqueire. Na safra 2017/2018, a produção da regional alcançou um patamar recorde de 1.023 milhão de toneladas.
O produtor Sidnei Hessmann, que nesta safra está cultivando 45 alqueires da cultura na localidade de Pindauvinha está otimista. Ele quer colher na primeira quinzena de março e espera uma produção de 180 sacas por alqueire. "Parece que vai ser um ano muito bom para nós. A lavoura está boa e aqui na nossa região choveu bem, até agora foi perfeito. O preço está razoável, a R$ 67 a saca e quem fez contrato acertou. Eu mesmo vendi 25% da produção a R$ 79 a saca. Mesmo com os preços atuais do mercado vamos ter lucro. Agora torcer para o clima continuar colaborando", comenta.
De acordo com Randolfo Oliveira, engenheiro agrônomo do escritório regional Deral, o registro de chuvas, tanto em volume quanto em abrangência, foram suficientes para o bom desenvolvimento das lavouras de soja. “Apesar do clima seco e quente que atrapalhou o desenvolvimento da soja na maioria das regiões do estado, aqui na regional tivemos chuvas intercaladas e na hora certa, o que favoreceu o desenvolvimento das lavouras”.
Fernando Soster, agrônomo da unidade da Coamo de Ivaiporã, relata que a expectativa dos produtores da unidade é colher 155 sacas por alqueire. “Por enquanto, tudo aponta para esta média, com alguns produtores colhendo em algumas áreas até mais de 200 sacas”.
Com relação ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras de soja na região, Soster diz que estão controladas. “Apesar de estar chovendo bastante agora, o produtor está conseguindo fazer os tratos culturais no momento adequado, então não temos problemas de doenças. Até agora está tudo controlado, e por enquanto não detectamos incidência da ferrugem asiática”.
Danos menores em Apucarana
Na área da regional de Apucarana da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), as perdas não devem ser tão grandes como em outras regiões do Paraná. Segundo dados do próprio órgão, a área com soja plantada nos municípios da regional é de 125,3 mil hectares. A expectativa no início do plantio era de colher entre 3,3 mil e 3,7 mil quilos por hectare, o que equivale a um total entre 414 mil e 463 mil toneladas.
“A estiagem no final do ano passado afetou o desenvolvimento da soja, mas não tanto quanto em outras regiões. Por isso, mesmo com as perdas, o volume colhido deve ficar dentro dessa margem, porém bem perto da margem mínima. Não será uma safra excelente”, explica Paulo Franzini, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) e chefe interino da regional apucaranense da Seab.
Atualmente, segundo projeção do órgão, há 35% da lavoura em estágio de floração. Cerca de 60% está em frutificação e o restante, 5%, está em maturação. Apenas esta última parcela da plantação foi mais severamente afetada pelo clima adverso. A expectativa é de que 5% da colheita seja composta por produto considerado ruim, 20% por qualidade média e 75% da área considerada de boa qualidade. (RENAN VALLIM)