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Lodo de esgoto vira adubo em propriedades rurais

Da redação

| Edição de 08 de março de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Pequenas propriedades de café, laranja, soja, amora e trigo no Vale do Ivaí já começam a receber lodo gerado no processo de tratamento de esgoto da Sanepar. O insumo tratado na ETE de Apucarana vem garantindo mais produtividade a baixo custo para produtores rurais. A previsão é que a Companhia de Saneamento do Paraná distribua cerca de 2 mil toneladas de lodo.
Um dos beneficiados, o agricultor Rogério Edson Tambarucci, de Lunardelli comemorou a chegada do lodo de esgoto em sua propriedade nesta semana. Ele afirma que os resultados econômicos da aplicação foram visíveis logo na primeira vez em que usou o produto, em 2019, na plantação de laranja do Sítio São Benedito. Na área que recebeu o lodo, o ganho de eficiência da produção foi de 18%.
Empolgado com este resultado e com a possibilidade de ganhos progressivos ao longo dos anos, além da redução de custos com o preparo do solo, Tambarucci recomenda o insumo. “Agrega valor. Diminui o custo de produção e a fruta fica com uma qualidade melhor, pelos nutrientes que têm neste produto”, afirma.
Segundo Rogério, o lodo foi recomendado por agrônomo especialista na produção de cítricos e é aplicado também em outra propriedade da família. O sítio dele tem 6 alqueires dedicados à produção de laranja, comercializada na região do Vale do Ivaí e Metropolitana de Curitiba.
O araponguense Cassemiro Naiewski cria bicho da seda no Sítio São José há 22 anos. Ele tem boas expectativas com a aplicação do lodo de esgoto na produção de amoreira, alimento da lagarta tecedeira.
O lote entregue último dia 3 de março foi pedido por Cassemiro há cerca de dois anos, após observar os resultados registrados pelo vizinho que também cria bicho da seda. “A expectativa é grande. Porque o custo da produção fica muito alto se for comprar os insumos para amora. Com o lodo, já vem o calcário junto”, afirma.
PIRAPÓ
A família Navarro iniciou a aplicação do lodo de esgoto da Sanepar nesta semana, respeitando o prazo de 15 dias desde o recebimento do lote. O pai Adilson e os filhos Renato e Rodrigo produzem café no Sítio Bom Jesus, no Distrito Pirapó, em Apucarana. “Tivemos indicação da Emater, e os técnicos da Sanepar nos trataram muito bem. Além disto, a gente analisou, pesquisou e constatou que seria ótimo. Estamos na expectativa de que exista melhora na fertilidade do solo e qualidade das plantas”, destaca Adilson.

Orientação técnica aos produtores
A engenheira agrônoma Sandra Silveira, responsável técnica pelo Programa do Uso Agrícola do Lodo de Esgoto da Sanepar na Região Nordeste, atua no cadastro e orientação do agricultor, analisa os laudos técnicos e faz monitoramento das áreas, observando o correto uso do lodo e do solo.
“Fazemos visitas no campo, analisamos os laudos do solo fornecidos pelo agricultor e também do nosso lodo. O cruzamento destes dados, somando-se às características da propriedade e da cultura, nos permite calcular exatamente como deve ser aplicado o produto”, explica Sandra.
O gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, Rafael Malaguido, destaca também o aspecto social do programa, já que o lodo é distribuído sem custo para o agricultor, com prioridade para os pequenos produtores. “Além disso, o programa traz ganhos ambientais porque dá destino mais nobre para o resíduo das nossas estações de tratamento de esgoto”, afirma.
O técnico agrícola da Emater em Apucarana Marcos Antonio Sanchez tem acompanhado a aplicação do lodo de esgoto na Sanepar na região. “Temos notado um resultado positivo, principalmente na lavoura de café que a gente atende. Estamos junto com a Sanepar, fazendo divulgação do programa porque é um produto seguro, fácil de manusear. É um produto a mais para auxiliar o agricultor”, destaca.