As revendas de veículos de Apucarana enfrentam uma situação atípica nos últimos meses: sobram clientes e faltam veículos para vender. Em algumas concessionárias da cidade, existe fila de espera e alguns modelos podem demorar até 150 dias para chegar. Fechamento das indústrias em virtude da pandemia do novo coronavírus é a principal causa do atraso nas fábricas, segundo representantes do setor.
Marcos Fernando Morotti é gerente uma concessionária em Apucarana. Ele conta que hoje, cerca de 30 clientes estão aguardando na fila de espera a chegada do carro novo. “A espera pode chegar a até 150 dias dependendo do modelo. E estamos vendendo de tudo, desde o popular até o mais luxuoso. Em alguns casos, estamos comprando carros seminovos para repassar aos clientes que não querem ficar tanto tempo esperando”, contou.
Com o produto escasso no mercado, os preços também acompanham a demanda. Morotti afirma que os preços dos veículos têm aumentos mensais. “Os 0 Km estão em média até 4% mais caros, mas os aumentos são constantes. Muitas vezes o cliente pede o carro com um preço e quando o veículo chega, o preço já subiu. Os seminovos que temos adquirido para suprir a falta dos novos, já pagamos valores até 15% superiores a Fipe”, revelou.
Alessandro dos Santos é gerente em outra concessionária da cidade. Ele afirma que somente para a chegada de pick-ups da marca, existem 40 clientes esperando. “No total acredito que pelo menos 70 clientes fizeram pedidos na semana e estão aguardando os carros que demoram de 90 a até 120 dias para chegar. Temos poucos carros em estoque e já estamos comprando seminovos para atender quem não quer esperar, mas até seminovos já está difícil de achar”, considerou.
Santos acredita que as medidas adotadas por conta da pandemia são a causa desta falta de produto no mercado. “As fábricas ficaram paradas por muito tempo, muitas estão retomando o ritmo com número de funcionários reduzido, falta matéria prima para produção de peças e tudo isso colabora que a produção de veículos ficasse reduzida”, explicou.
A falta de veículos também atinge os pátios de seminovos. De acordo com Gustavo Alves, proprietário de um pátio de automóveis em Apucarana, a procura por veículos é grande, mas a oferta é cada vez mais escassa. “Normalmente eu trabalhava com 40 a 50 veículos no pátio. Hoje tenho no máximo 25. Tenho cerca de 15 clientes somente nesta semana esperando por carros, mesmo com a alta nos preços, que no caso dos veículos a diesel chega a até 20%. O que tem para vender, vende tudo”, afirmou.