O coronavírus é um desafio não apenas na área econômica e de saúde. Nas relações familiares, o impacto da crise e do isolamento também é grande e recai principalmente em uma figura: a mãe. A maternidade em tempos de pandemia exige mais trabalho e atenção das mães, além do distanciamento com suas redes de apoio. A Tribuna ouviu o relato de algumas dessas mães.
Esse é o caso da dona de casa Suellen Campos, 37 anos, de Apucarana, que vai passar pela primeira vez o Dia das Mães longe de Ivone, 67. “A gente antecipou a comemoração no fim de semana anterior por causa da pandemia e também da frente fria que se aproxima”, lamenta.
Além da mãe ser idosa, o filho de Suellen, o Igor, de 9 meses, também faz parte do grupo de risco. “O Igor tem síndrome de down e fará um tratamento em breve. Ele precisa de total isolamento e por isso, faz 30 dias que ele não sai de casa. Os encontros são apenas por vídeo-chamada”, conta Suellen, que também é mãe de Lycia, 15 e Lis, 3.
MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM
A fisioterapeuta Tayssa Fagundes, 30, de Apucarana, ganhou o primeiro filho Caetano no dia 14 de março, logo quando o coronavírus começou a se espalhar pelo Brasil. “Eu entrei na maternidade em um mundo e sai em outro. As restrições estavam começando a ser feitas, como isolamento social. No primeiro dia ainda recebi a família, mas no dia seguinte já não pude mais”, lembra.
Tayssa diz que foi um processo difícil, ainda mais em um período delicado como o puerpério. “Saímos do hospital e de repente o cenário mudou, comecei a viver com as incertezas, medos. Tivemos que correr para dar vacina no Caetano porque tudo poderia piorar. O que me ajuda é a tecnologia, já que vou postando fotos dele e compartilhando com familiares e amigos pelas redes sociais”, conta.
GRAVIDEZ
A professora do curso de Moda, Patrícia Harger, 36, de Apucarana, está grávida de 36 semanas do primeiro filho, o Felipe, que está previsto para nascer no começo de junho. “Muito difícil não poder estar com quem a gente ama em um momento tão especial. Queria tanto compartilhar minha barrigona com meus pais, irmãos e amigos. Porém, conto com ajuda da tecnologia. Ainda bem”, ressalta.
Para amenizar a ansiedade, a professora pratica exercícios físicos regularmente e evita assistir e ler notícias relacionadas ao coronavírus. “Parei de ver e ler porque não quero enviar energias negativas para o Felipe. É um período delicado e preciso manter a mente sã. Além disso, pratico exercícios físicos em casa que me ajuda muito a aliviar o estresse”, explica.
MULTITAREFAS
A bacharel em Direito e fotógrafa Estela Frizo, 38 anos, de Apucarana, está em quarentena com os filhos Davi, 10; Levi; 6, e com os gêmeos Lean e Lavínia, 4 anos. “A gente é mãe, fotógrafa, professora, dona de casa, esposa e tudo que precisar. Os últimos dias foram testes de paciência, de imaginação e muito mais. Chega um momento que não tem mais o que fazer com a galerinha em casa”, conta.
Além da correria do dia a dia, Estela ainda precisou recentemente fazer uma cirurgia nos olhos e está de repouso. “Eles precisam de auxílio nas tarefas, principalmente os mais velhos. Já os menores, né preciso ficar atento para que não se machuquem. Olha, somos mulheres maravilhas. Deus nos deu o dom. Logo tudo vai passar”, complementa.