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Maternidade congelada

Fernanda Neme

| Edição de 06 de novembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Congelar os óvulos foi uma opção viável que a estudante de Pedagogia, Leylane Antonio Chiarelle, 28 anos, que sonha em ser mãe, encontrou após receber em 2012, um diagnóstico de endometriose, distúrbio em que o tecido que normalmente reveste o útero acaba crescendo fora dele. Segundo dados do Hospital Israelita Albert Einstein, a doença é considerada comum e atinge mais de 2 milhões de mulheres por ano no Brasil.

A coleta foi realizada em abril do ano passado, quando foram retirados cinco óvulos da apucaranense. A decisão de passar pelo procedimento foi tomada por Leylane, com apoio do esposo, o vendedor Anderson Chiarelle, 36 anos.

Imagem ilustrativa da imagem Maternidade congelada

Dias antes da coleta, Leylane teve que tomar várias injeções que estimulam a produção de óvulos. “Já passei por três cirurgias desde 2012. Meu congelamento foi realizado como forma de precaução, já que a endometriose poderia me deixar infértil”, explica.

Mesmo passando por várias cirurgias, sentindo dores fortes e investir um valor alto nos tratamentos e cirurgias, Leylane diz que vai seguir em frente e não vai desistir da maternidade. “Meu sonho de vida é ser mãe. Vou até onde conseguir”, pontua.

Apesar da estudante ter congelado os óvulos devido a endometriose, a médica Paula Fettback, ginecologista e especialista em Reprodução Assistida, de São Paulo, explica que, quando bem-sucedido, o procedimento permite que a mulher tenha maior segurança em relação ao seu futuro reprodutivo, medida que vem sendo cada vez mais adotada principalmente por conta do papel da mulher no mercado de trabalho.

“Ela pode programar o melhor momento de ser mãe, independentemente da idade, com menores impactos da idade na queda da reserva ovariana”, ressalta.

Para ela, esta medida é um grande avanço para as mulheres, já que a ala feminina tem cada vez mais dificuldades decorrentes do “relógio biológico” e essa realidade faz parte da realidade dos consultórios. “O fato é que quando a maioria das mulheres percebe que o tempo passou acaba se deparando com dificuldades para constituir a tão sonhada família”, reforça.

Planejamento da gestação

A especialista Paula Fettback esclarece como é feito o congelamento de óvulos. “Após uso de medicamentos indutores da ovulação, a paciente é submetida a uma punção ovariana guiada por ultrassom para captação dos óvulos”, explica.

Desta forma, de acordo com Paula, pode preservar a fertilidade da mulher e planejar com mais tempo a futura gestação. Além disso, a médica sugere o congelamento também para casos de câncer ou doenças autoimunes, na qual precisa realizar cirurgias ou quimioterapia, e outros medicamentos que podem levar a falência ovariana precoce. Após a coleta, Paula diz que os óvulos ficam congelados a menos 80 graus em incubadoras e laboratórios específicos.

A ginecologista conta que a procura entre mulheres com 35 anos ou mais, sem parceiro, é grande. “Elas pretendem preservar a fertilidade para uma futura gestação, que ainda não está bem programada”, ressalta. Mulheres com doenças autoimune, falência ovariana precoce ou com doenças como câncer ou que fazem quimioterapia também fazem parte da grande procura.

As contraindicações para o congelamento de óvulos são raras. “Somente em casos em que a paciente tenha algum quadro de saúde muito instável. A técnica é realizada em mulheres de qualquer idade que já tenha ciclos menstruais”, esclarece. O congelamento de óvulos, segundo a especialista, gira em torno de R$ 10 a 15 mil por ciclo, havendo uma pequena taxa anual para manutenção.