Um homem de 45 anos foi executado a tiros, na manhã de ontem, em Mauá da Serra. Eloir Tomás Batista estava em frente a sua casa, na Rua Léo Dantes da Fonseca, quando o atirador chegou e cometeu o crime. Mauá da Serra é atualmente o município mais violento do Vale do Ivaí. Com pouco mais de 9,8 mil habitantes e sete assassinatos já registrados no ano, a cidade já alcançou um índice de 70,9 homicídios por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média brasileira registrada em 2014, de 29,1.
O autor do homicídio, segundo testemunhas, estava de bicicleta. Ele se aproximou da vítima e atirou várias vezes. Batista foi baleado na cabeça e teve o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Apucarana.
A vítima, segundo a Polícia Civil, tinha reconhecido envolvimento com atividades criminosas. “O histórico da vítima, somado a forma como o crime foi praticado, aponta para acerto de contas”, comenta o delegado de Marilândia do Sul, Felipe Ribeiros Rodrigues, responsável por investigar o caso.
O delegado admite que o avanço da criminalidade em Mauá da Serra é preocupante. Em cinco meses, o número de assassinatos já ultrapassou todo o registro do ano passado, quando foram quatro mortes, e supera com folga em números absolutos a incidência de crimes em cidades com população maior. Apucarana, município sede da 17ª SDP, por exemplo, registrou dois homicídios no ano, mesma quantidade de crimes registrados em Ivaiporã e Jandaia do Sul.
Para o delegado, a localização de Mauá da Serra influencia o índice de violência. “A cidade tem proximidade com Ortigueira e muitas estradas rurais usadas como rotas de fuga”, comenta.
Ele admite que a Polícia Civil tem dificuldade em atuar e investigar os crimes no município vizinho por conta da questão prisional. Mauá da Serra fica a 40 km da sede da comarca. “Temos um efetivo baixo, com apenas um investigador de plantão que, infelizmente, tem sua atividade prejudicada por conta da cadeia”, frisa.
A cadeia de Marilândia do Sul tem capacidade para 8 presos e mantém uma média de 50 detentos. Outros vinte presos da comarca estão abrigados na cadeia de Rio Bom. “O efetivo não é o ideal, mas se não fosse a questão da cadeia a situação era muito mais contornável. Hoje, se um crime acontece no meio da noite, não posso mandar ninguém para Mauá, alguém tem que vigiar os presos, o prédio. A cadeia, infelizmente, virou prioridade”, comenta o delegado, que relata que o efetivo da polícia é centralizado em ações como escolta de presos, vigia e outros trabalhos.
Dos sete homicídios registrados em Mauá da Serra, segundo o delegado, dois foram elucidados. Há também um caso de uma jovem encontrada morta no município, cujo crime está sendo investigado em Ponta Grossa, onde supõe-se que a vítima tenha sido morta. Os demais crimes demandam investigação. “Infelizmente, quem vira refém desta situação são os moradores de Mauá da Serra”, afirma.