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MEC vai suspender Enem em escolas ocupadas

Agência Estadual de Notícias

| Edição de 20 de outubro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O Ministério da Educação anunciou nesta quarta-feira (19), em Brasília, que os estudantes do Paraná, cujo ensalamento para o Enem é em uma das escolas ocupadas, farão as provas do Exame Nacional do Ensino Médio em data diferente da prevista, se as ocupações não terminarem até o final deste mês. As provas serão em 5 e 6 de novembro, mas para estes alunos será marcada nova data até o final do ano.

Imagem ilustrativa da imagem MEC vai suspender Enem em escolas ocupadas

Segundo o Ministério da Educação, dos 682 locais que vão realizar o Enem no Paraná, 145 estão ocupados por estudantes. No Estado, cerca de 400 mil alunos das redes pública e privada de ensino se inscreveram para o exame.

As ocupações de colégios no Estado têm preocupado a Secretaria de Estado da Educação, que há dias está em tratativas com o governo federal para solucionar a questão.

“Não queremos que nossos estudantes sejam mais afetados do que já foram”, disse a secretária de Estado da Educação, professora Ana Seres. “Os alunos já foram muito prejudicados, pois seja por ocupações ou pela paralisação dos professores, iniciada nesta segunda-feira (17), eles estão sem aulas e assim perdem conteúdos importantes às vésperas do Enem e dos vestibulares”, disse a secretária.

De acordo com o ministro da Educação, Mendonça Filho, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) monitora a situação no Estado. Se as ocupações não encerrarem até 31 de outubro, novas datas serão definidas para aplicação das provas para estas escolas. Nas escolas sem ocupação, as provas serão realizadas normalmente, na data prevista.

O ministro disse que espera uma solução para breve. “Espero que essa decisão não chegue a termo, que até o dia 31 o consenso prevaleça, os jovens desocupem essas escolas e que as entidades que estão patrocinando as ocupações colaborem nessa direção”, disse o ministro, em coletiva de imprensa em Brasília.

Ao ser questionado pelos jornalistas se não haveria a possibilidade de transferir os locais de prova, o ministro respondeu que “não tem logística”, acrescentando que a pasta não pode ficar submetida ou submeter a prova à conveniência de uma ocupação ou desocupação pela vontade de determinado grupo. “Vamos ter que suspender a prova naquela localidade, caso as escolas não sejam desocupadas até o dia 31”, disse.

Para esses alunos, a prova será remarcada em data ainda a ser confirmada pelo MEC. O ministro afirmou, ainda, que isso significará um custo adicional de R$ 90 por prova. O Ministério informou que acionou a Advocacia-Geral da União para “responsabilizar os atores cabíveis nesse processo”. Mesmo que remarcada, a correção será feita a tempo para que os estudantes participem do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

O Enem é utilizado como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a bolsas no Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no ensino superior.

Movimento tem novas adesões

Dos 61 colégios do Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, 18 estão ocupados pelos alunos. A ocupação mais recente ocorreu no Colégio Estadual Emílio de Menezes, de Arapongas, o segundo maior do NRE. Em Apucarana, os alunos do Colégio Estadual Professor Izidoro Luiz Cerávolo aderiram no início da noite de anteontem ao movimento “Ocupa Paraná”, que é liderado pela União Paranaense de Estudantes Secundaristas (Upes). No Estado, os estudantes ocupavam até ontem no final da tarde 773 escolas. As ocupações têm por objetivo derrubar a Medida Provisória 746/2016, que prevê a reforma do ensino médio.

Ontem de manhã, uma reunião que estava prevista entre a diretoria do NRE, de Apucarana, diretores, integrantes de Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) e o Ministério Público foi suspensa. “Os professores grevistas acamparam em frente ao Núcleo e fomos impedidos de entrar. A reunião com Ministério Público foi pedida principalmente por pais, que estão com dúvidas de como agir diante das ocupações”, explica Maria Onide Balan Sardinha, chefe do NRE, de Apucarana.

Maria Onide avalia que a Educação está passando por um momento delicado. “Os pais e a maioria dos diretores estão preocupados, porque os adolescentes estão sem supervisão”, diz. Outro ponto ainda destacado pela chefe do NRE é que as ocupações estão afetando a entrega leite, que ocorre em algumas escolas. (VANUZA BORGES)