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Melhorar ensino médio ainda é desafio

Renan Vallim

| Edição de 30 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O ensino médio é um dos principais desafios da educação pública brasileira. Na região, esta fase do ensino básico é a que registra maior índice de abandono escolar e menores notas nas avaliações, tanto estaduais quanto federais. Falta de estrutura e de motivação para alunos faz com que a escola perca jovens para o mercado de trabalho. Especialista questiona função exercida atualmente pelo ensino médio e aponta ações necessárias para melhorar situação.

Segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os 16 municípios pertencentes ao NRE de Apucarana matricularam quase 11,5 mil alunos no ensino médio em 2017. No ano, o índice de abandono na região foi de 10,9%, o que resulta em cerca de 1.250 alunos deixando os bancos escolares no ano. Em 2016, o índice havia sido 7,10%. A título de comparação, o índice de abandono do ensino fundamental foi de 2,2%.
O Governo do Estado reconhece as dificuldades enfrentadas pelo ensino médio. “O índice de evasão escolar é alto, principalmente no ensino noturno, porque a maioria dos alunos precisa conciliar trabalho e estudo. Muitos acabam não conseguindo. A situação vem ficando mais crítica a cada ano e um dos sinais é a queda na faixa etária do ensino noturno, o que mostra que esse dilema trabalho/estudo tem aparecido cada vez mais cedo na vida dos alunos”, explica a secretária estadual da Educação, Lúcia Aparecida Cortez Martins.

O Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná (Saep), mecanismo de avaliação do Governo do Estado, aponta a mesma situação. Como são utilizadas metodologias diferentes nos ensinos fundamental e médio, não é possível comparar as notas. No entanto, o levantamento coloca os colégios em níveis. No ensino médio do NRE de Apucarana, apenas dois colégios atingiram nível ‘Adequado’ em Língua Portuguesa e um em Matemática. No Ensino Fundamental, foram 16 e 7, respectivamente.

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“Temos um programa de enfrentamento à violência, de resgate destes alunos e também uma rede de proteção. A nossa intenção é despertar no aluno a importância da escolarização”, afirma a secretária.
No entanto, estes esforços não são suficientes, como aponta Antônio Marcos Dorigão, doutor em Educação e coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana. “A educação básica no Brasil é muito recente. Apesar de existir há décadas, o ensino médio só foi considerado obrigatório em 2009. Neste processo, fica claro que falta estrutura física e recursos, faltando até professores formados nas disciplinas que ministram”.
Segundo ele, um dos principais problemas é que não há definição para quê serve o ensino médio. “Para alguns, é apenas um percurso para chegar ao ensino superior. Mas nem todos têm a perspectiva ou possibilidade de chegar à universidade, o que acaba gerando um desânimo. Para outros, o ensino médio deveria ser uma preparação para o mercado de trabalho, mas é uma perspectiva que não se efetiva na prática”.

 

Nota do Ideb é 55% menor

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado pelo Governo Federal em todas as escolas do país, é mais baixo no ensino médio. No NRE de Apucarana, os municípios registraram em 2017 um Ideb médio de 3,5, índice 55% mais baixo do que em outras séries, em média. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), o índice foi de 6,2. Nos anos finais (6º ao 9º ano), a nota foi 4,7. A nota máxima é 10.

Porém, há alguns bons exemplos de escolas que conseguiram mudar este panorama na região, como o Colégio Estadual Osmar Guaracy Freire, no Conjunto Habitacional Adriano Correia, em Apucarana. Com melhor índice da região (4,4) no 3º ano do ensino médio, a escola tem como uma das apostas a parceria entre professores e pais para dar suporte aos alunos. “Temos tentado trazer a família para participar da vida escolar e estamos conseguindo. É um processo, que começa no ensino fundamental e segue por todas as séries”, explica a diretora Marlene Beletato.

Segundo ela, a escola precisa ser mais flexível. “Nós buscamos nos adequar, marcando reuniões em horários diferenciados, para proporcionar aos pais esta convivência na escola. Além disso, é fundamental manter os professores motivados”, avalia.

Prestes a ser implantada, Base Comum Curricular recebe críticas
O Paraná está prestes a iniciar as primeiras discussões para implantar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dispositivo que visa uniformizar o ensino médio no país. “Estamos aguardando os conselhos Federal e Estadual de Educação se manifestarem para marcar seminários com professores”, diz a secretária da Educação, Lúcia Martins.

Doutor em Educação, Antônio Dorigão questiona efetividade da medida. “A BNCC tem sido apresentada como solução para os problemas da educação nacional, mas o estado do Paraná, por exemplo, já conta com parâmetros curriculares de alta qualidade, e nem por isto tem conseguido alcançar metas extraordinárias. O projeto vem aliado ao ‘Novo Ensino Médio’, que não tem conexão com a realidade das escolas e da maioria dos municípios brasileiros”, diz.

“A curto e médio prazo, são necessários programas e políticas públicas que melhorem a estrutura física das escolas, a qualificação e a carreira dos professores e uma rede de apoio que possa dar melhores condições de vida às crianças e adolescentes, incluindo saúde, segurança, assistência social e apoio às famílias vulneráveis”, ressalta ele