CIDADES

min de leitura - #

Menores salários geram mais empregos

Renan Vallim

| Edição de 20 de agosto de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.


A cidade de Apucarana é a quinta do Paraná em geração de empregos em 2017. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que 1.007 novos postos de trabalho foram criados entre janeiro e julho deste ano no município. Apesar do crescimento, os efeitos da crise ainda afetam o mercado de trabalho. Estes novos empregos se concentram nas faixas salariais mais baixas. Já nas faixas mais altas, os índices são negativos.

Imagem ilustrativa da imagem Menores salários geram mais empregos


De acordo com o levantamento, a faixa salarial que mais criou vagas (diferença entre contratações e demissões) neste ano foi a com pagamentos entre 1,1 e 1,5 salário mínimo (acima de R$ 937 até R$ 1.405,50). Foram 1.072 novas vagas com carteira assinada nesta faixa salarial. A maior parte dos cargos do setor de vestuário, principal atividade industrial da cidade, encontram-se dentro desta faixa salarial.
Em seguida, aparece a faixa entre 0,51 salário mínimo e 1 (acima de R$ 468,50 até R$ 937), com 123 novas vagas em 2017. Completando o quadro positivo de empregos está a faixa salarial entre 1,51 salário e 2 (acima de 1.405,50 até R$ 1.874).
As outras faixas salariais estão negativas. O pior desempenho foi da faixa entre 2,1 e 3 salários mínimos (acima de R$ 1.874 até R$ 2.811), que cortou 112 postos de trabalho no período. Entre 3,1 e 4 salários (acima de R$ 2.811 até R$ 3.748), os cortes foram de 54 vagas. Entre 4,1 e 5 salários (acima de R$ 3.748 até R$ 4.685), foram menos 28 vagas. Acima de 5 salários mínimos, foram 21 postos de trabalho cortados até julho de 2017. Houve ainda sete cortes na faixa abaixo de meio salário mínimo (R$ 468,50).
Segundo o economista e pró-reitor de Administração e Finanças da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, a renda per capta na cidade apresenta tendência decrescente. “Apucarana vem se destacando, sendo a quinta cidade em geração de empregos. No entanto, a maior parte das vagas está sendo criada nas faixas mais baixas de salário. As demissões estão distribuídas em todas as faixas salariais, com maioria entre os salários maiores. Já as contratações estão concentradas entre as faixas mais baixas”, diz.
De acordo com Rogério, a crise econômica, que vem desde 2014, ajuda a explicar a situação atual. “Temos uma conjuntura econômica que vem deteriorando o mercado de trabalho ao longo dos anos no Brasil todo. No Paraná, começamos a ver uma melhora, com a maioria dos municípios apresentando números positivos, ainda que de forma acanhada. Mesmo assim, há que se ressaltar que Apucarana tem se destacado na geração de emprego”, diz.
O economista afirma que, baseado nas variáveis apresentadas atualmente, os próximos anos devem ser de incertezas. 
“O comércio acaba sofrendo com a queda da renda per capta, porque as pessoas acabam tendo que mudar seus padrões de consumo. É preciso que haja uma reversão na política econômica do Brasil. Não há como ter uma ‘ilha de prosperidade’ no Paraná ou em Apucarana. O país precisa crescer junto”, ressalta.