Cerca de 90% do milho safrinha plantado na região de Ivaiporã já foi colhido, segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral). Com evolução da colheita, o Deral aumentou as estimativas de quebra na produtividade nos 22 municípios da área de abrangência da regional. Inicialmente, a expectativa de rendimento tinha média de 200 sacas de 60 kg por alqueire. No entanto, a colheita deve fechar com média de 135 sacas, uma queda de 32,5%.
Segundo o agrônomo do Deral, Randolfo de Oliveira, a segunda safra foi comprometida por estiagens, seguida de geadas. “As regiões onde o plantio ocorreu mais tarde foram as mais atingidas pelo clima. Com a estiagem prolongada em maio e abril, parte significativa das lavouras estava em fase de floração. Depois, a geada no final de junho atingiu essas mesmas lavouras na fase de frutificação”, explica Oliveira.
De acordo com Fernando Soster, agrônomo da unidade da Coamo de Ivaiporã, nos municípios que fazem parte da unidade (Ivaiporã, Jardim Alegre, Arapuã. Ariranha e Lidianópolis), a perda foi maior ainda. “A queda no rendimento foi de aproximadamente 50%. Quem plantou em janeiro, colheu cerca de 240 sacas. O plantio a partir de fevereiro foi diminuindo a produção a cada semana. Alguns produtores que tinham tecnologia para mais de 240 sacas colheram 120. Tivemos em algumas pequenas propriedades perda total”, assinala Soster.
MERCADO
Apesar na perda na safra, o preço de mercado é bom. Ontem, o cereal era cotado em Ivaiporã há R$ 35,40. No mesmo período do ano passado, o produto era comercializado por R$ 18,00.
Mesmo com bons preços, o gerente da unidade da Coamo de Ivaiporã, José Sales Saraiva, acredita que milho primeira safra, plantado a partir de setembro, não vai tomar espaço da soja na região. “Um ou outro produtor pode plantar um pouco mais de milho, um aumento insignificante. Aqui, a tradição é a soja e a tendência é que os produtores permaneçam com a cultura”, ressalta Saraiva.
O agricultor Jose Boselli Palma plantou no mês de fevereiro 40 alqueires do milho da segunda safra na localidade de Severiano, em Ivaiporã. Ele esperava colher acima de 200 sacas. “Só não foi tragédia por causa dos preços, porque foi uma safra muito complicada. Em média, o milho rendeu 120 sacas por alqueire”, relata Palma. Para a safra de verão, o agricultor pretende plantar soja.