Moradores da Vila Rural Nova Ukrânia, na região sul de Apucarana, se queixam da situação da localidade. Criada há mais de 20 anos, ela é a primeira vila rural desenvolvida pelo Governo Estadual, através de um programa de melhoria das condições dos moradores rurais. A inauguração foi realizada com a presença do então governador Jaime Lerner e do presidente da República à época, Fernando Henrique Cardoso. Mas, depois de mais de duas décadas, os moradores reclamam que a localidade pouco progrediu.
Mauro Chinelli mora na vila rural há 22 anos. Ele chegou um dia antes da inauguração, feita com “pompa e grandeza”, como ele próprio se lembra. “Muitas famílias chegaram naquela época. Todas vieram com um sentimento muito forte de esperança. Infelizmente, o sentimento hoje em dia é de abandono”, diz.
Com 64 famílias, a Vila Rural Nova Ukrânia foi fundada em 1995, através do Programa de Melhoria da Qualidade de Vida do Trabalhador Rural. A ideia do programa era reduzir o grande êxodo rural registrado desde a década de 70 por conta da mecanização, que havia reduzido em quase metade o número de pessoas na zona rural paranaense.
O programa, que entregava casas em um lote de 5 mil m² a pequenos produtores, criou ao todo 412 vilas rurais em 273 dos 399 municípios do Paraná, sendo a primeira delas a Nova Ukrânia. À época, o projeto foi considerado inovador e modelo para outros estados, recebendo várias premiações.
Hoje, a situação é diferente. “Os pequenos produtores estão desamparados. Não há apoio, não há subsídios. E agora, até a segurança está comprometida. O tráfico de drogas aproveita a falta de policiamento e vem para cá”, diz Chinelli.
Antônia Silveira Lemes, que também chegou ao local na época da inauguração, lembra das promessas feitas. “Eles diziam que a realidade seria outra. Que teríamos asfalto, escola, posto de saúde. O asfalto nunca chegou. A escola fechou e o posto de saúde só abre de vez em quando e não tem vagas para todos. É difícil para nós”.
Ela conta ainda que o transporte coletivo é deficitário. “O ônibus já não vem com frequência, mas quando chove fica ainda pior. O barro impede o ônibus de percorrer todos os pontos e, por isso, quem não mora na rua principal precisa andar na chuva até um ponto onde o ônibus passa”.
Sérgio Gerin chegou à Nova Ukrânia três anos após a inauguração. Apesar das dificuldades, ele afirma que as pessoas não querem sair dali. “Esse é o nosso pedaço de terra. Não queremos sair. Queremos que as coisas deem certo aqui. Recentemente, cascalharam as ruas, o que melhorou. Antigamente, nem isso tinha. Mas ainda há muito a melhorar”, diz.
CRITÉRIOS
Secretário municipal de Obras, Herivelto Moreno explica que a Prefeitura tem critérios para o asfaltamento de ruas, como fluxo de veículos, número de moradores que seriam beneficiados, entre outros. “Não há previsão de asfaltarmos a Vila Rural Nova Ukrânia por enquanto. Existem locais da cidade com três vezes mais famílias e que também precisam de asfalto. Locais com mais pessoas são prioridade”, afirma.