O empresário apucaranense Jairo Wesley Dionísio Ramos, 62 anos, morreu na noite de sábado após participar de uma prova pedestre em Londrina. Praticante da modalidade há alguns anos, ele, que era um dos pioneiros do setor boneleiro em Apucarana, teve um infarto fulminante e entrou em óbito ainda no local da competição. O sepultamento ocorreu anteontem em Apucarana. O caso alerta para a necessidade de exames preventivos e acompanhamento profissional durante a prática esportiva.
Praticante de corrida há 25 anos e médico, Luiz Carlos Busnardo, de Apucarana, observa que antes de praticar qualquer atividade física é essencial fazer uma avaliação médica e respeitar a orientação do profissional de educação física. “A avaliação deve ser feita por um cardiologista, que irá indicar o retorno para seis meses ou um ano, dependendo do caso”, sublinha. A avaliação deve ser feita por crianças, jovens e idosos.
Além disso, Busnardo orienta a respeitar os próprios limites. “A atividade física não pode ser desgastante”, orienta. Outro fator é a frequência do exercício, para manter o condicionamento. “Não pode num dia pedalar 500 km e ficar 15 dias dolorido sem fazer nenhuma atividade. Ou treinar um dia e ficar uma semana parado, porque o corpo perde a resistência adquirida”, comenta.
Na avaliação de Busnardo, é o educador físico quem deve dosar a intensidade do exercício. “É preciso obedecer ao educador. A atividade física exige disciplina e regularidade”, afirma. Sobre a corrida, o médico comenta que um limite considerado saudável é quando se consegue fazer a atividade e conversar com alguém. Claro que este não é o caso de praticantes de alto rendimento, que têm um acompanhamento específico.
Para o médico, a morte do empresário apucaranense é um alerta para a necessidade do acompanhamento profissional. Por outro lado, Busnardo comenta que o sedentarismo mata muito mais. “A atividade física, além da alimentação balanceada, é um dos fatores que mais contribuem para uma vida longa e saudável. Também reduz a necessidade do uso de medicamentos e do estresse”, pontua.
“Pé Vermelho” vai reforçar orientação
O educador físico e um dos fundadores do grupo de corrida “Pé Vermelho”, Juraci Barbosa revela que os profissionais da área de saúde que participam da equipe vão reforçar orientações sobre a necessidade da avaliação médica e também do acompanhamento de um profissional de Educação Física. Também, segundo ele, vale a pena usar um frequencímetro, ou monitor cardíaco, para acompanhar o ritmo do coração, mas o essencial mesmo é ter um acompanhamento profissional.
Barbosa comenta que o grupo é aberto e, por isso, não tem o controle de todos os participantes. “O objetivo do grupo é a qualidade de vida, mas não conseguimos acompanhar cada participante. Nós acompanhamos os alunos que treinamos nas academias. A recomendação é que os participantes procurem uma academia, para que possa ter o acompanhamento de um profissional também”, recomenda.
Com o acompanhamento, de acordo com Barbosa, é possível prevenir futuras lesões com fortalecimento de joelho e lombar, por exemplo. Para ele, o caso do integrante da equipe foi uma fatalidade. “A corrida desperta a competitividade, o que faz com que os participantes corram mais apaixonados em determinadas situações, por isso, tem que ter o acompanhamento”, reforça.
Barbosa observa também que está cada vez mais comum as equipes organizadores de corridas exigirem atestado médico para fazer a inscrição.