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Motoristas rejeitam proposta da VAL e iniciam hoje greve em Apucarana

Fernando Klein

| Edição de 09 de fevereiro de 2023 | Atualizado em 09 de fevereiro de 2023

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Motoristas e funcionários do transporte coletivo de Apucarana rejeitaram no final da tarde de ontem a nova proposta da Viação Apucarana Ltda (VAL) e decidiram entrar em greve a partir das 4 horas de hoje. Uma nova oferta é esperada pela categoria para o início desta manhã.  Foram 64 votos contra a proposta e a favor da paralisação contra 30 que aceitaram o reajuste proposto. 

A empresa ofereceu aumento de 6,9% no salário, que passaria de R$ 2.245 para R$ 2.400, além de reajuste de 42% no vale alimentação, que sairia dos R$ 95 para R$ 135, com reposição de mais R$ 70 a partir de dezembro, fixando o valor do vale em R$ 205.

Os motoristas e demais trabalhadores não aceitaram os índices propostos durante assembleia geral extraordinária e decidiram manter a greve, que já havia sido aprovada em um primeiro momento em 30 de janeiro. Os ônibus continuaram, no entanto, circulando até ontem por conta das negociações. 

Por determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), pelo menos 50% da frota terá de rodar durante a greve nos horários de pico em Apucarana e 30% nos demais horários. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 50 mil. 

O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Anexos de Apucarana (SINCVRAAP), Ronaldo Santana da Silva, disse que a VAL sinalizou que fará uma nova proposta ainda nesta sexta-feira.

São 131 trabalhadores do transporte coletivo público do município, entre motoristas e pessoal administrativo. A votação da proposta começou às 5 horas e terminou às 17 horas de ontem. 

A categoria quer uma oferta melhor da empresa. Na primeira pedida, os trabalhadores reivindicavam 11% de reposição salarial e 153% de reajuste no vale alimentação, fixando os valores em R$ 2.491,00 e R$ 240, respetivamente. Atualmente, o salário da categoria é R$ 2.245,00 com R$ 95 de vale alimentação.

Cerca de 15 mil pessoas utilizam o transporte coletivo por dia na cidade. Entre os usuários, o clima é de apreensão. “Achei um absurdo, uma pouca vergonha. Moro no Dom Romeu, trabalho no Jaboti e tenho que atravessar a cidade toda. Meu filho também precisa estar 6h no mercado. Eles merecem, mas nós como ficamos?”, disse a diarista Maria Cristina dos Santos, 50. 

Vitória Nogueira de Souza Santana, 21 anos, mora Jardim Milani e também reclama. “Todos os dias uso (o transporte coletivo) para ir ao trabalho. Fiquei sabendo agora, vou ter que ir a pé. Da outra greve ficou lotado nos horários, então vou cogitar ir a pé, vou ter que sair umas 11h30 para chegar às 13h e pedir para o namorado buscar. Eu acho que eles merecem, mas acho que a melhor forma seria conversar até entrar em acordo, pois uma greve prejudica a população em geral”, opina.  

Nova tarifa do transporte coletivo entra em vigor hoje

A partir de hoje, o preço da tarifa do transporte coletivo urbano passa a custar R$ 4, uma alta de R$ 0,60 em relação aos R$ 3,40 praticados até ontem. O reajuste foi anunciado pela prefeitura de Apucarana e passa a valer no mesmo no primeiro dia de greve dos motoristas e funcionários do transporte coletivo.  

Segundo informado pela prefeitura, o custo total da tarifa é de R$ 4,70, contudo ontem a Câmara de Vereadores aprovou um subsídio de R$ 0,70 na passagem, reduzindo o valor para os usuários do serviço que pagarão R$ 4.  O projeto de lei foi aprovado durante duas sessões extraordinárias realizadas ontem.

Pelo projeto, o município também fica autorizado a pagar passagem integral do Sistema de Transporte Coletivo para grupos específicos, como pessoas com deficiência, idosos, pessoas com transtorno de espectro autista, gestantes com carência de recursos, além de pessoas que utilizarão as linhas “saúde” e “turismo”, que serão lançadas pela prefeitura nos próximo dias.