O Ministério Público (MP) da comarca de Ivaiporã estuda pedir a interdição da cadeia pública da 54ª Delegacia Regional de Polícia (DRP). Ontem durante operação bate grade na carceragem, a promotoria pediu que fossem realizadas periciais apara avaliar a parte estrutural da unidade, além de salubridade e segurança do local. Técnico do Corpo de Bombeiros e setor de engenharia da Prefeitura estiveram no local.
Os laudos ainda não ficaram prontos, mas preliminarmente, foi comprovada falta de ventilação, fiações elétricas expostas e falta de espaço. Com capacidade para 42 presos a cadeia abriga atualmente 153. O prédio, construído na década de 1980, também tem muito mofo, decorrente de problemas de ventilação.
O promotor Cleverson Leonardo Tozatte diz que o pedido de perícia tem como finalidade dividir a responsabilidade da segurança da cadeia com a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Segundo ele, as perícias técnicas deverão ser entregues em 10 dias e a promotoria poderá pedir a interdição da carceragem. “O objetivo é fazer uma análise completa do ambiente e da infraestrutura. Nós já tivemos lá atrás uma interdição que acabou frustrada, mas não descartamos um novo pedido”, relata Tozatte.
Preliminarmente, o engenheiro da prefeitura, Carlos Ramos, adiantou que a parte elétrica da cadeia é muito deficiente. “Toda a fiação está exposta, há com certeza um risco iminente de incêndio. Os fios expostos dividem espaço com as camas improvisadas feitas em tecido nos corredores e o risco é muito grande”, assinala Ramos.
Em agosto de 2010, a Justiça da Comarca de Ivaiporã interditou a carceragem da 54ª DRP depois que presos rebelados destruíram a ala masculina. Na época, foi determinada a imediata transferência dos presos e proibido o recolhimento de novos detidos. Entretanto, a liminar foi derrubada no Tribunal de Justiça.
Para fazer a vistoria ontem, 12 agentes da Seção de Operações Especiais (SOE), do Departamento de Execução Penal (Depen), de Londrina, foram deslocados para Ivaiporã. Os internos foram transferidos e mantidos no solário, enquanto 40 alunos soldados da 6ª Companhia Independente retiravam os objetos dos presos para vistoria.
O delegado Gustavo Dante, diz que o trabalho foi motivado pelas várias tentativas de fugas que movimentaram a carceragem nos últimos dias. Aliado a este fato, também o pedido do MP para realização de perícias técnicas. “Todas as celas foram revistadas. A operação exige um esforço”, relata Dante.
Como resultado do bate grade, foram localizados e apreendidos diversos aparelhos celulares, carregadores de celulares, serras, porções de maconha e estoques (faca feita artesanalmente com pedaços de ferro). Na semana passada, a unidade registrou uma tentativa de fuga. A última fuga aconteceu em julho, quando 27 presos conseguiram escapar após escavarem um túnel.