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Mulheres ganham 20% menos do que os homens na região

Renan Vallim

| Edição de 14 de fevereiro de 2018 | Atualizado em 14 de fevereiro de 2018

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A desigualdade salarial entre homens e mulheres com carteira assinada nos cinco maiores municípios da região chega a quase 20%, segundo os últimos dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho. A maior disparidade  salarial foi registrada em Arapongas, onde trabalhadores masculinos ganham, em média, 30,9% acima da força de trabalho feminina. A menor diferença foi encontrada no mercado de trabalho de Faxinal, com 12,4%, seguida de Apucarana, com 13,6%. Os dados são de 2016, ano mais recente disponível. No Paraná, em média, homens têm rendimento 26,5% maior que as mulheres.
De acordo com o levantamento, os cinco maiores municípios da região (Apucarana, Arapongas, Ivaiporã, Jandaia do Sul e Faxinal) tinham 81.118 trabalhadores formais em 2016. Destes, 44.024 eram homens (54,3%) e 37.094, mulheres (45,7%). A média salarial masculina era de R$ 1.977,80. Já a média feminina era de R$ 1.649,48, ou seja, 19,9% menor. No entanto, a diferença vem diminuindo ano a ano. Em 2011, alcançava 25%.
Em Arapongas, a média salarial dos 18.729 homens (55,3% do total de trabalhadores da cidade) era de R$ 2.226,44. Já as 15.106 mulheres recebiam, em média, 30,9% menos: R$ 1.700,71.

Imagem ilustrativa da imagem Mulheres ganham 20% menos do que os homens na região

Faxinal foi o município com maior proximidade entre salários. Os 1.497 homens (57,7%) recebiam, em média, R$ 1.865,70. O valor é 12,4% maior do que o das 1.098 mulheres, que era de R$ 1.660,09. Em Apucarana, a diferença ficou em 13,6%, com os 17.485 homens (52,6%) recebendo R$ 1.913,69 em média, contra R$ 1.684,80 das 15.739 mulheres.Doutoranda em Psicologia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Economia Empresarial, a professora Maria Piai, de Apucarana, avalia que desigualdade de gênero no mercado de trabalho ainda é um problema real. “Esta é uma questão que já deveria ter sido superada, mas persiste por conta da falta de informação e por preconceito. Contudo, vemos que com o avanço das novas tecnologias de informação e uma maior difusão do conhecimento científico tem sido mais fácil superar certas barreiras que, há muito tempo, vinham impedindo o estabelecimento da igualdade entre os gêneros. Isto tem contribuído para que as novas gerações superem estas desigualdades”.Segundo ela, fatores culturais ainda mantêm a diferença salarial entre gêneros. “O avanço acontece através da educação, tanto formal, que é aquela que acontece nas escolas, quanto a informal, que ocorre no interior das famílias. Um exemplo é quando o filho ajuda nas tarefas domésticas e não apenas a filha”, ressalta.Piai afirma ainda que diretores, coordenadores e demais cargos superiores na hierarquia das empresas têm papel fundamental na equiparação entre funcionários homens e mulheres. “O ponto em questão é que estas pessoas, responsáveis pelas grandes decisões dentro das empresas, devem deixar de enxergar seus funcionários como homens e mulheres. É preciso encará-los como pessoas, antes de qualquer distinção de sexo”.

Empresas adotam novas medidas

Algumas empresas já adotaram medidas para reduzir a diferença entre mulheres e homens no ambiente de trabalho. Elio Pavanato é diretor geral de uma destas empresas, que atua no setor moveleiro de Arapongas. “Quase 50% do nosso quadro de funcionários é composto por mulheres. Em nossa empresa, elas ocupam todos os postos, desde a linha de produção até cargos de hierarquia avançada. Fazemos questão de, em nossa estrutura de cargos e salários, priorizar apenas a função do trabalhador e não o sexo”, destaca.
O diretor geral aponta ainda que a adesão da empresa ao Programa Empresa Cidadã é uma forma de valorizar a presença feminina entre os funcionários. Através de incentivos fiscais, o programa federal amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses, e a licença-paternidade de cinco para 20 dias. “As empresas precisam ter papel ativo no combate a discrepâncias entre homens e mulheres. Equipará-los no ambiente de trabalho é uma questão de valorização dos funcionários como pessoas”.

Paraná reduz desigualdade,
que chega a 26,5% no estado

No Paraná, a diferença também está diminuindo. O salário médio dos homens no Estado foi de R$ 2.441, contra R$ 2.206 das mulheres em 2016, uma diferença de R$ 235. Naquele ano, as mulheres ganhavam 26,5% menos do que os homens. Em 2012, essa diferença era de 32,1%. O rendimento médio dos homens era de R$ 2.442 e das mulheres era de 1.658, de acordo com o IBGE.
A queda na diferença se deve a uma mudança estrutural registrada nos últimos anos, de acordo com Daniel Nojima, diretor do centro de estatísticas do Ipardes. “Certamente a educação tem um peso nessa mudança. As mulheres, especialmente as jovens, têm mais anos de estudo do que os homens, o que tem se refletido em maiores remunerações”. Entre 2012 e 2014, o salário das mulheres aumentou (sem considerar a inflação no período) 47% no Paraná. Já o dos homens ficou praticamente estável. Em média, as mulheres brasileiras com 25 anos ou mais têm 8,2 anos de estudo, contra 7,8 anos dos homens, de acordo com dados do IBGE.
Entre 2012 e 2016, o Paraná melhorou duas posições entre os Estados com menor desigualdade salarial, passando de sexto para quarto lugar. Hoje, tem a menor disparidade de salários entre os sexos do Sul. No Rio Grande do Sul, as mulheres ganhavam, em média, 27,4% menos, e em Santa Catarina, a diferença era de 26,5% em 2016.