Uma iniciativa popular tem chamado a atenção na região: a compra de fuzis para as polícias Militar e Civil. De janeiro a junho deste ano, moradores compraram 12 armas do tipo, sendo cinco já entregues para a 6ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), de Ivaiporã, e duas previstas à Polícia Civil, também de Ivaiporã, até o final de julho. As outras cinco armas estão previstas para reforçar o armamento até o final do ano em Arapongas, que comprou quatro fuzis, e Novo Itacolomi, um. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) vê a mobilização da comunidade na região como uma “atitude isolada” e garante que está cumprindo suas obrigações. O governo estadual, inclusive, promete adquirir mais de mil armas para as polícias (ver box abaixo).
Califórnia, Jandaia do Sul e Mauá da Serra estão em campanha para conseguir recursos para compra do armamento. A estimativa é que a aquisição seja realizada entre o segundo semestre deste ano até junho de 2017. A “vaquinha” foi colocada em prática por moradores após vários casos de assaltos e furtos praticados em agências bancárias da região por quadrilhas especializadas, que usam armas de alto poder destrutivo, como submetralhadoras e fuzis. A soma do investimento feito pela comunidade nos municípios até o momento ultrapassa R$ 110 mil.
As compras dos armamentos acontecem através dos Conselhos Comunitários de Segurança (Conseg’s). Faxinal lançou a iniciativa no primeiro semestre deste ano no Vale do Ivaí. Com apoio da comunidade, o Conseg local arrecadou R$ 8 mil, para compra do fuzil. Na sequência, outros municípios adotaram a medida, que foi encabeçada por Ivaiporã, sede da 6ª CIPM, que fez o pedido de compra. Ao todo foram cinco fuzis, que foram destinados para Ivaiporã, Faxinal, Borrazópolis e Lidianópolis.
A aquisição mais recente aconteceu na última quinta-feira. O Conseg, de Arapongas, fez o pedido de compra de quatro fuzis para a 7ª Companhia Independente da Polícia Militar. “O investimento é de R$ 8 mil por fuzil, em média. Decidimos comprar, primeiramente, para segurança dos próprios policiais. Segundo, pelo aspecto psicológico, que causa nos criminosos”, justifica o presidente do Conseg de Arapongas, major Edwayne Aparecido Areano Arduin.
Outro fator decisivo é a burocracia do Estado. “Já exerci cargos públicos e também fui oficial da PM, por isso, sei o quanto os trâmites burocráticos são lentos, mas nós não podemos esperar. Temos que agir para impedir o avanço da violência”, acredita.
Diferente de Arapongas, Novo Itacolomi conta com apenas um policial durante a semana por turno e dois aos fins de semana. Mesmo assim, o presidente do Conseg, Dorival Miguel da Silva, avalia pertinente a compra. “Compramos o fuzil e depois vamos trabalhar para ter uma submetralhadora. O município é alvo constante de quadrilhas especializadas em roubos a bancos. Sabemos que um policial é pouco, por isso, estamos batalhando para conseguir aumentar o efetivo com a formação dos novos soldados”, diz.
APUCARANA
Quanto a aquisição de armamento, a presidente do Conseg de Apucarana, Ana Maria Schimidt, diz que estuda a possibilidade da aquisição, mas para tanto é necessário todo um trâmite interno, que o 10º BPM está fazendo.
Comunidade em campanha
Municípios que ainda não compraram armamento mais pesado estão em processo de arrecadação para tal. Um exemplo é Califórnia, que está reativando o Conseg. “Temos como meta a compra de um fuzil. Já estamos conversando com associações e clubes de serviço, para obter o recurso”, adianta o policial aposentado Claudiney Cassins, membro do Conseg local.
Na avaliação dele, um fuzil na cidade não vai resolver o problema da criminalidade, mas como os municípios vizinhos também terão o armamento, a resposta aos criminosos será equivalente. Já a luta do Conseg, de Mauá da Serra, segundo o conselheiro Divonsil Lourenço Rosa, além de finalizar a compra de um fuzil para a PM, é reativar a delegacia local. “Estamos desde 2007 sem delegacia. Aumentar o efetivo das polícias Civil e Militar é um clamor geral da população”, avalia.
Em Jandaia do Sul, além do projeto de compra de dois fuzis, o presidente do Conseg, Alberto Vivan, revela que está nos planos a compra de uma viatura descaracterizada. Os meios para conseguir os recursos para as aquisições são doações da comunidade, além da promoção de um bazar, que deverá ser feito com bens apreendidos pela Receita Federal, em 2017.
Sistema de monitoramento e GM
O presidente do Conseg, de Faxinal, Cláudio Aleixo, que iniciou o projeto de compra de fuzis na região, ressalta que as parcerias e a adesão dos moradores foram essenciais para o investimento em segurança.
Consciente da situação dos municípios menores, ele sabe que o armamento não vai resolver o problema da segurança, mas vai amenizar junto com outras iniciativas, como a criação da Guarda Municipal, que está prevista para ser criada no início de 2017. A estimativa é a contratação inicial de nove guardas. Com a formação dos novos soldados, o Conseg também vai solicitar reforço no quadro de pessoal.
Aleixo comenta ainda que o Conseg busca recursos para implantar um sistema de monitoramento no município. O investimento, que mais uma vez que será bancado pelos moradores, será na ordem de R$ 20 mil.
“Vamos colocar câmeras nas entradas da cidade, para focar nas placas dos veículos, porque geralmente os crimes são praticados por bandidos de outras localidades”, diz. Além das entradas, três câmeras deverão ser instaladas na área central.
Outro município que está com projeto de instalação de câmeras de segurança é Novo Itacolomi. A comunidade tem que agir”, diz o presidente do Conseg da cidade, Dorival Miguel da Silva
Sesp garante investimentos na compra de armamentos
Em nota, a Secretaria de Segurança do Estado Paraná (Sesp) avalia que a mobilização dos moradores é uma atitude isolada e o Estado não está se furtando às suas obrigações de fornecer equipamentos e armamentos necessários às polícias, seja por meio de compras diretas ou parcerias.
Um exemplo foi a entrega de 20 fuzis distribuídos para a região de fronteira, no fim de 2015, por meio de uma parceria com o Exército Brasileiro, para reforçar o policiamento ostensivo e repressivo na área, além de colaborar nas operações realizadas em parceria entre as instituições.
Em março, a Secretaria também anunciou que estão em trâmite processos para compra de novos equipamentos e armamentos para as polícias Civil e Militar do Paraná. A previsão é investir cerca de R$ 4 milhões na compra de mais de mil novas armas, entre metralhadoras portáteis 9 milímetros, espingardas calibre 12, fuzis e pistolas Glock – importadas. A 6ª CIPM de Ivaiporã já recebeu um fuzil adquirido pelo Governo do Estado.
Em relação ao policiamento, a Polícia Militar está em processo de formação de novos soldados. No estado, são 2.212 policiais em formação. Na região, três escolas de soldados estão em andamento no 10º BPM de Apucarana, 7ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Arapongas e 6ª CIPM de Ivaiporã, totalizando cerca de 130 policiais.
Segundo o governo, a meta inicial de contratação de 10 mil homens para reforçar a Segurança Pública do Paraná foi superada. Nestes quase cinco anos de governo Beto Richa foram contratados 7.505 policiais, sendo 5.809 militares e 1.696 civis – uma média de 1.501 contratações por ano.