Zerar a fila de espera por aparelhos auditivos. Este é o objetivo do Mutirão de Próteses Auditivas realizado pela 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, que atende 17 municípios da região. Ontem, Dia Nacional do Surdo, uma solenidade marcou a entrega de 14 aparelhos auditivos no Centro de Audiologia e Diagnóstico Integrado (CADI), da Apae, em Apucarana. Até o final do ano 417 pessoas vão receber um dispositivo, para que possam ouvir melhor. O valor do investimento é de R$ 663 mil. Os aparelhos custam entre R$ 500 a R$ 1,1 mil.
Uma das beneficiadas é a aposentada apucaranense Maria Aparecida da Silva, 66 anos. Ela vai usar o aparelho somente no ouvido esquerdo. “Eu tenho um chiado muito forte no ouvido. Só de colocar o aparelho já senti diferença”, observa.
Entre os exames até o recebimento da prótese auditiva, dona Maria esperou cerca de um ano. “Eu ouvia bem baixinho. Quase já não estava mais escutando. Vai ser muito bom para mim, porque era difícil atender o celular e até assistir televisão, porque, para eu ouvir, tinha que deixar alto e acabava incomodando os vizinhos”, diz.
A também aposentada Yochi Floriani, de 81, também aguardou cerca de um ano para conseguir uma consulta com especialista. “Depois que fiz os exames, pediram o aparelho e chegou em menos de dois meses. É ótimo voltar a ouvir com clareza”, comenta a apucaranense.
O motorista Arthur Pereira de Godoy, 48, de Apucarana, procurou um especialista depois que começou a ter um forte ruído no ouvido. “Eu ouço bem de perto, mas de longe já tenho dificuldade. Como sou motorista de van escolar preciso ouvir bem o que os alunos dizem”, sublinha. Com o aparelho no ouvido, a sensação não foi das melhores: “está meio esquisito ainda, mas a médica disse que é normal”, assinala.
A fonoaudióloga Ana Paula Maistro chama a atenção para o problema da perda da audição tanto em crianças quanto em adultos e idosos. “Quando criança, atrapalha o desenvolvimento da fala, por isso, é importante fazer o teste da orelhinha, no máximo, até os seis meses, para que haja a detecção precoce”, argumenta.
Em adultos, segundo Ana Paula, a partir do momento que tem essa privação sensorial, ou seja, diminuição da audição, pode ocorrer o isolamento social e até depressão. “Começam a sentir envergonha por não conseguir entender o que alguém fala. Às vezes são alvo de brincadeira de mau gosto ou de impaciência e começam a se isolar socialmente”, analisa.
Entre os principais sintomas, segundo a fonoaudióloga, estão o zumbido e a falta de clareza na audição. “Ouve, mas não entende”, comenta.
A especialista recomenta procurar um médico, para que não haja perda da audição nem comprometimento da vida social.
Investimentos somam quase R$ 700 mil
A chefe da 16ª RS, Clara Lemes de Oliveira explica que o mutirão teve início em setembro do ano passado. “O objetivo é zerar a fila de espera por aparelhos auditivos”, afirma. Dos 417 beneficiados, 286 já foram atendidos e começaram a receber os aparelhos. “Recebemos 463 mil do Governo do Estado, para a campanha de próteses auditivas”, sublinha. Já Apucarana recebeu recurso à parte e investiu R$ 200 mil na compra dos aparelhos.
O mutirão, coordenado pela Secretaria da Saúde, faz parte da estratégia de ampliação dos serviços e procedimentos de média e alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Clara comenta que a 16ª tem trabalhado para zerar a fila de espera de diversas especialidade. “Já conseguimos zerar este ano a fila da catarata. No total, a Regional já fez mais de 1,2 mil procedimentos entre catarata, ginecologia, otorrino, vascular e cirurgia geral”, afirma. Somente de catarata foram cerca de 600 procedimentos. “Em todo Estado são mais de 40 mil cirurgias e R$ 50 milhões investidos”, afirma.
O vice-presidente da Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana, dentista Emídio Bachiega, explica que as ações realizadas no decorrer do ano serviram para reduzir e até zerar a fila de espera dos pacientes. “No caso dos aparelhos auditivos, havia espera de até três anos, mas gradativamente, com os investimentos feitos, poucos apucaranenses aguardam na fila, que será zerada até o final do próximo mês”, informa Bachiega. Ele lembra que o investimento neste setor é de R$ 200 mil, oriundo do Governo do Estado.