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Na era do 5G, orelhões fazem ‘ponte’ com passado da telefonia

Fernando Klein

| Edição de 07 de julho de 2022 | Atualizado em 07 de julho de 2022
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‘ponte’ com passado da telefonia

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A atual geração praticamente desconhece os orelhões. Em tempos de 5G, a nova tecnologia de comunicação que chegou oficialmente ao Brasil nesta semana, esses equipamentos parecem obsoletos e itens de museu. No entanto, o Telefone de Uso Público (TUP) – o nome oficial do orelhão – ainda é realidade. Em Apucarana, segundo levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 89 orelhões estão ativos na cidade. Em Arapongas, são 62 em funcionamento. Os dados têm como referência o mês de maio.

O número é muito menor em comparação com a era pré-digital. Na época, os aparelhos estavam espalhados por praticamente todas as cidades e as filas para fazer ligações eram comuns. O “sumiço” dos orelhões ocorreu por conta da atualização da política de comunicações no Brasil. Um decreto publicado pela Anatel em 2018 liberou as concessionárias de telefonia da obrigação de investir em orelhões. Em troca, as empresas deveriam levar o sinal de celular 4G para todo país.

Segundo a Anatel, no entanto, esses equipamentos vão continuar existindo em locais estratégicos, como delegacias, hospitais, escolas, entre outros prédios públicos. A reportagem encontrou esses telefones públicos em Apucarana justamente nesses pontos. 

Na calçada do Colégio Estadual Professor Izidoro Luiz Cerávolo, dois orelhões estão ativos e funcionando. No entanto, esses aparelhos públicos de telefonia são completamente ignorados pelos estudantes, a maioria com celulares em punho. 

O estudante do 1º ano do ensino médio, Flávio Pereira de Miranda, aguardava a van ao fim da aula. Ele estava checando uma mensagem no celular ao lado dos orelhões. O adolescente conta que nunca utilizou esse serviço. “Sempre usei o celular”, afirma o garoto, que tem um aparelho de telefonia móvel desde a infância. “Nem lembro quando ganhei (o celular). Era criança”, disse o estudante, pedindo licença para entrar na van já estacionada junto à calçada.

Além do Colégio Cerávolo, outro equipamento funcionando foi encontrado em frente ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Já o orelhão na esquina da Prefeitura de Apucarana com o Colégio Estadual Santos Dumont estava “mudo” no início da tarde desta quinta-feira (7).

SEM CUSTO

Desde 2015, a Oi - empresa responsável pelo serviço - vem sendo punida pela Anatel pelo não cumprimento de obrigações e, por isso, as ligações locais e interurbanas deixaram de ser cobradas em todos os orelhões. 

Isso explica o desaparecimento dos cartões telefônicos com créditos para chamadas, que substituíram as antigas fichas, que viraram itens de colecionador e podem ser adquiridos pela internet.