Cerca de 250 colégios estaduais estão ocupados no Paraná. São três na região, dois em Apucarana e um em Ivaiporã. A ocupação é uma resposta à Medida Provisória (MP) 746/2016, que prevê mudanças no ensino médio, e à Proposta de Emenda à Constituição 241, que determina o congelamento dos gastos públicos para os próximos 20 anos. Ontem de manhã, uma reunião entre estudantes, professores e representantes da Secretaria Estadual de Educação (Seed), em Apucarana, emitiu documento pedindo a revogação da MP 746/2016.
Em Apucarana, o primeiro colégio ocupado foi o ‘Nilo Cairo’, que fica na área central da cidade, na última segunda-feira. Na sequência, os alunos do Colégio Estadual professora Godomá Bevilacqua de Oliveira, no Distrito de Vila Reis, aderiram ao movimento, que liderado no Estado pela União dos Estudantes Secundaristas (Upes). Ontem à tarde, os estudantes do Colégio Estadual Padre José Canele, no Jardim Ponta Grossa, também decidiram ocupar as instalações.
A expectativa, segundo o diretor de grêmios da União dos Estudantes de Apucarana (UEA), Bruno Gurgell, é que até o início da próxima semana todos os colégios do município sejam ocupados. Para ontem à noite, alunos dos colégios Polivalente e Luiz Isidoro Cerávolo tinham organizado assembleias para decidir se ocupariam ou não as unidades de ensino.
Em Ivaiporã, o movimento começou com a ocupação do Colégio Estadual Bento Mossurunga, no centro da cidade. Os jovens colocaram faixas na porta da unidade para anunciar a ocupação. O protesto dos estudantes ganhou a simpatia de algumas pessoas da comunidade, que levaram alimentos e produtos de primeira necessidade para os manifestantes, uma vez que eles não podem usar produtos da merenda escolar.
Segundo alguns estudantes, a ocupação em Ivaiporã foi pacífica e não tem prazo para acabar. Eles relatam que pelo menos 40 alunos têm dormido na escola desde a ocupação. Inclusive, com a companhia de alguns pais. “Todos os alunos adolescentes que estão no colégio estão acompanhados pelos pais ou têm autorização”, enfatiza Solange Rozendo, mãe de um dos adolescentes.
NEGOCIAÇÕES
Representantes da Secretaria Estadual de Educação, alunos, professores, diretores, funcionários e pais se reuniram ontem na Faculdade Apucarana (FAP), para discutir a MP 746/2016. Cerca de 200 pessoas, de 50 colégios do NRE, participaram do debate.
Um documento com as sugestões foi emitido ao final e enviado à Seed. “Os participantes disseram não à medida provisória”, afirma Maria Onide Balan Sardinha, chefe do NRE.