As ocupações de colégios da rede estadual de ensino, promovidas desde o início do mês como forma de protesto à Medida Provisória 746/2016, e a greve dos professores deflagrada nesta semana têm gerado preocupação entre pais e até alunos. O ponto central da discussão gira em torno do calendário escolar, que terá que ser prorrogado (ver box). Outro fator é a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no primeiro final de semana de novembro. Na área de abrangência dos Núcleos Regionais de Educação (NRE) de Apucarana e Ivaiporã são 32 colégios ocupados, sendo 16 em cada sede. Em todo Estado, o número até ontem à tarde era de 688.
Em Apucarana, nove colégios estão ocupados. Ontem, os alunos do Colégio Estadual Coronel Luiz José do Santos, do Distrito de Pirapó, resolveram aderir ao movimento Ocupa Paraná. Em Arapongas, os estudantes também ocuparam o Colégio Estadual Francisco Ferreira Bastos, totalizando cinco estabelecimentos de ensino no município. Na área do NRE de Apucarana, há ainda escolas ocupadas em Sabáudia e Rio Bom.
Na região do NRE de Ivaiporã, além das oito escolas ocupadas na sede, o movimento fechou colégios em Lidianópolis (um), Lunardelli (um) e Jardim Alegre (três). As unidades que não estão ocupadas, tanto em Apucarana quanto em Ivaiporã, também têm as atividades comprometidas por causa da greve dos professores, que teve início na última segunda-feira e será discutiva amanhã.
Hoje, o governador Beto Richa vai receber representantes dos servidores estaduais. Já a ocupação das escolas é tema de encontro entre pais de alunos e o secretário estadual da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita.
O presidente da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF), do Colégio Estadual Polivalente de Apucarana - ocupado anteontem -, Waldir Nogueira da Mata, avalia que os maiores prejudicados serão os próprios alunos. “Não sou contra as reivindicações dos estudantes, mas acredito que escolheram a maneira errada de fazer, porque vai comprometer o calendário escolar”, comenta.
Pai de duas alunas da rede pública, ele entende que os alunos que querem estudar não têm o seu direito assegurado. “São pouquíssimos alunos que estão participando do movimento. A maioria é contra, porque sabe que será prejudicada. As manifestações poderiam ocorrer através de passeatas nas ruas, nas praças, assim como fizeram no processo de impeachment da ex-presidente Dilma ”, argumenta.
Da Mata comenta que está mobilizando os pais, para que conversem com os filhos e peçam para que parem com o as ocupações. “O Enem está aí. Os vestibulares também. Isso sem falar em alunos que se programaram para a formatura e nem sabem se vão terminar o ano letivo”, observa.
Outro pai, que também está preocupado, é o motorista Juviniano Fideles de Moura. “Sou contra as ocupações, porque não respeitam o direito de quem quer estudar. Poderiam protestar sem interromper as aulas”, diz ele, que também é pai de dois alunos da rede pública.
O motoboy Aurélio Nantis, que também tem uma filha matriculada na rede pública, avalia que o movimento prejudica o rendimento escolar. “Além do aprendizado, os adolescentes estão sem supervisão em casa ou na escola”, ressalta.
Ano letivo deve terminar em 2017
A Secretaria de Estado da Educação afirmou ontem que será necessário fazer reposição das aulas perdidas, seja por ocupações ou greve, pois a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) estipula 200 dias letivos e 800 horas/aula no ano.
Como o calendário letivo deste ano vai até 21 de dezembro, devido às duas paralisações do ano passado – que duraram ao todo 73 dias -, as reposições deverão ser em fevereiro de 2017.
“Janeiro é mês de férias para professores e funcionários. Possivelmente teremos que repor em fevereiro”, avalia a secretária de Estado da Educação, professora Ana Seres. Cada escola terá que elaborar uma proposta de calendário de reposição, conforme o número de dias que ficou parada. Os calendários precisam ser encaminhados aos Núcleos Regionais de Educação (NREs), para análise e posterior homologação.
A Secretaria reitera sua preocupação com o aprendizado dos estudantes, que fica comprometido com as ocupações e paralisação. A rede estadual tem um milhão de estudantes. Somente no ensino médio, são cerca de 350 mil estudantes, e cerca de um terço deles prestará vestibulares no fim do ano, além de fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no início de novembro.
Enem é a maior preocupação dos alunos da rede pública
Além do cumprimento do calendário escolar, os alunos se preocupam com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – marcado para o início de novembro .
Para não ter o rendimento prejudicado, a adolescente apucaranense, de 15 anos, que prefere não ter o nome revelado, é contra as ocupações e têm estudado em casa. “Todos os dias, eu estudo cerca de 4 horas em casa. Pesquiso canais no YouTube de professores nas disciplinas que preciso e assisto às aulas”, revela.
Esta foi a fórmula encontrada pela estudante do 1ª Ano do ensino médio, para se preparar para o Enem. “Quando eu estava estudando de manhã, à tarde eu estudava, em média, mais duas horas”, diz.
Sobre a Medida Provisória 746/2016, que prevê a reforma do ensino médio, ela ainda não tem uma opinião formada. “Não sei dizer se será positiva ou não. Estão em discussão disciplinas importantes, mas os alunos não terão a possibilidade de escolher?”, questiona.
Ontem, o governador Beto Richa e a secretária de Estado da Educação, professora Ana Seres, entregaram ao ministro da Educação, Mendonça Filho, o relatório dos seminários que debateram com a comunidade escolar paranaense a proposta do governo federal de reforma do ensino médio.
“Trouxemos ao ministro o resultado dessas participações, e ele atenciosamente nos recebeu e se comprometeu a analisar nossas contribuições”, disse o governador Beto Richa