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Operação da PF pode favorecer extradição de apucaranense preso

Claudemir hauptmann

| Edição de 05 de maio de 2022 | Atualizado em 05 de maio de 2022
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Enquanto o jovem Jordi Vilsinski Beffa, 24 anos, de Apucarana, finalmente conseguia falar com os pais, por vídeo chamada, na madrugada de ontem, a Polícia Federal deflagrava, em Curitiba, uma operação que prendeu uma mulher apontada como a aliciadora dos jovens presos. A prisão na capital pode beneficiar a defesa do jovem apucaranense.

Jordi foi preso no dia 13 de fevereiro, quando desembarcava no Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, em Bangkok, com uma grande quantidade de drogas na mala. Horas antes, um casal de brasileiros, uma mulher de 21 anos e um homem de 27 anos, que também haviam embarcado no Aeroporto de Curitiba,foi preso com drogas escondidas num fundo falso de uma mala. Os três levavam 15,5 kg de cocaína.

A PF informou que a operação Ong Bak – nome dado fazendo referência a um filme de ação que se passa na Tailândia -, visa à responsabilização criminal de traficantes de drogas pelo aliciamento dos três brasileiros presos na Tailândia. 

De acordo com a Polícia Federal, na operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, expedidos pela 9ª Vara da Justiça Federal em Curitiba. As medidas judiciais visam a prisão de uma mulher, responsável pelo aliciamento dos transportadores das drogas ilícitas e a obtenção de mais provas sobre o seu tráfico para o exterior.

As investigações foram iniciadas logo após a prisão dos brasileiros. Ainda segundo a PF, essas investigações apontaram que os dois homens já haviam viajado para o exterior, antes do período da pandemia de Covid-19, em situações que denotam que estariam transportando drogas. 

O advogado Petrônio Cardoso, que vem auxiliando a família Beffa, informou que deve entrar com um pedido de habilitação junto a Polícia Federal no Paraná, para que possa ter às investigações do caso.

“Essa prisão, essa investigação, como um todo, reforça até agora a nossa tese inicial de defesa do Jordi Beffa. Ele foi aliciado, ele é um rapaz que caiu num esquema de cooptação. Não é o traficante e muito menos o cabeça desse sistema”, diz o advogado.

A Polícia Federal informou que examina a possibilidade de requerer à Justiça Federal a extradição dos brasileiros presos na Tailândia, para que respondam pelos crimes praticados no Brasil. 

“Desde o primeiro momento, nossa intenção sempre foi a de conseguir a extradição de Jordi para que ele possa responder pelos crimes aqui no Brasil, onde tudo começou. Nossa esperança é que agora, na medida em que possa contribuir com as investigações, ajudando a desmantelar o esquema de aliciamento para o tráfico, consigamos trazê-lo de volta ao Brasil”, comenta Petrônio.

Jordi faz contato com os pais por chamada de video

Na madrugada de ontem, Jordi Beffa falou com os pais. Ele teve acesso a uma videochamada, por cinco minutos, quando pode rever as pais, seo Arlindo e dona Odete, que moram em Apucarana.Os três se emocionaram.

O advogado Petrônio Cardoso disse que o rapaz informou a família que está na mesma cela com o outro brasileiro preso no mesmo dia. Jordi Beffa informou, ainda, que foi avisado que deve ser ouvido nos próximos dias pela Justiça da Tailândia. 

O advogado explicou que ainda não conseguiu estabelecer uma parceria com advogados tailandeses para ajudar na defesa de Jordi. Ele reitera que a família não tem a mínima condição de arcar com os custos de uma defesa. Segundo Petrônio, só para acompanhar o caso, fazendo a mediação – sem portanto auxiliar na defesa, propriamente dita – os custos profissionais na Tailândia passariam de R$ 12 mil. Petrônio já informou que atua no caso voluntariamente, sem custos para a família.