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Padres discutem projeto de hidrelétrica

Ivan Maldonado

| Edição de 29 de setembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A Igreja Católica entrou ontem na discussão a respeito do projeto de construção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no Rio Ivaí. Os possíveis impactos ambientais e sociais do empreendimento foram discutidos por padres do decanato sul da Diocese de Apucarana em encontro realizado em Porto Ubá, na cidade de Lidianópolis. Também participaram da reunião representantes do Ministério Público Estadual (MP), Universidade Estadual de Maringá (UEM), diáconos, pescadores, e associados da Patrulha Ambiental do Rio Ivaí. A Diocese pretende se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

Imagem ilustrativa da imagem Padres discutem projeto de hidrelétrica

O tema entrou em discussão, após uma empresa de Santa Catarina mostrar interesse na construção nas divisas dos municípios de Jardim Alegre e Grandes Rios. O empreendimento hidrelétrico PCH Coqueiro. A pequena usina já tem o registro de intenção de outorga da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Conforme o projeto básico, a barragem poderá ser construída a seis quilômetros abaixo da balsa do Marolo e o reservatório terá extensão de aproximadamente oito quilômetros. 
Conforme padre Geraldino Rodrigues, coordenador da ação evangelizadora, participaram do encontro padres das paróquias dos municípios de Ivaiporã e do distrito de Jacutinga, Jardim Alegre, Lidianópolis, Lunardelli, Godoy Moreira, Ariranha do Ivaí e Arapuã. 
Segundo padre Geraldino, a Diocese pretende se pronunciar sobre a construção da PCH no Rio Ivaí. “Foi o próprio Dom Celso que marcou essa reunião, mas por motivos de saúde da mãe dele, que foi internada, ele não pode participar. Pretendemos ouvir também as questões técnicas e as comunidades. Quando esgotadas todas as conversas, o bispo pretende se pronunciar”, comenta padre Geraldino. 
O padre Célio Tarozo, do Santuário Santa Rita de Cássia, de Lunardelli, diz que a discussão é importantíssima, pois os padres também têm dúvidas sobre o assunto. “A gente quer se aprofundar neste assunto de modo a orientar melhor as pessoas, pois também somos formadores de opiniões”, comenta. 
O empreendimento tem previsão de potência instalada de 28,1 MW e área de reservatório de 259 hectares, sendo 180 hectares do próprio leito do rio e 79 hectares fora do leito. 

Ministério Público é contra iniciativa
O promotor da comarca de Ivaiporã, Carlos Eduardo de Souza explanou os possíveis impactos na construção de uma barragem. “Qualquer tipo de empreendimento gera um impacto ambiental. Nesse caso específico, pelos estudos que nós temos, o impacto ambiental e social é muito gravoso para a sociedade local”.
Ainda segundo o promotor, é um investimento extremamente rentável para o investidor e não tão rentável para a sociedade. Souza destaca que o represamento do rio traz riscos de comprometimento da qualidade e problemas com a piracema, dentre outros. 
“O empreendedor sempre vem prometendo emprego e renda para o município. Mas, se comparadas com outras soluções ambientais, o que é prometido pelo empreendedor fica muito aquém daquilo que nós temos como alternativa com práticas ambientais sustentáveis”. Segundo ele, este tipo de empreendimento costuma atrair trabalhadores de outros municípios, impactando na demanda de serviços de saúde e assistência social.