O Paraná enfrenta uma epidemia de influenza. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, que também confirmou o primeiro caso da variante Ômicron do covid-19 (ver matéria nesta página). Em coletiva realizada na manhã de ontem, o secretário afirmou que a transmissão comunitária e o aumento no número de casos diários de H3N2 (um tipo do vírus Influenza A) e óbitos em decorrência da doença levaram a decisão de decretar estado de epidemia.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o vírus da H3N2 já foi detectado em 144 municípios do Estado. Agora, 832 casos – sendo 805 residentes no Paraná e 27 de fora do Estado – e 12 mortes estão confirmados. Os dados foram coletados até esta terça (11) por meio do Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL). Como, ao contrário da covid-19, a influenza não tem uma grande rede de testagem e o número real de casos é exponencialmente maior.
“Este número de casos e óbitos é o registro que conseguimos da investigação epidemiológica após a detecção da doença pelas unidades sentinela, o que certamente não representa a realidade da doença no Estado. Temos estimativa que este número de confirmações seja pelo menos 20 vezes maior”, afirmou o secretário.
Não havia registros de tantos casos neste período desde o início do monitoramento dos casos da Influenza A (H3) pela Sesa em 2016. A transmissão dos vírus da Influenza, em sua maioria, ocorre durante os períodos mais frios, no inverno. Agora, o Estado vive uma situação atípica de confirmações de casos durante o verão.
A Sesa descentralizou na última semana 460 mil cápsulas de Tamiflu e já protocolou um novo pedido junto ao Ministério da Saúde, de mais 100 mil unidades. “Ao contrário da covid, a influenza tem tratamento. Se administrado em até 48 horas após a infecção pelo vírus, o medicamento possui grande efetividade no agravamento da doença e também na diminuição de internações”, acrescentou Beto Preto.
Segundo Beto Preto, a transmissão do vírus acelerou durante as festividades de fim de ano e é preciso que a população reforço a profilaxia, que é a mesma adotada em relação a covid-19. “Precisamos continuar com os cuidados, com o uso de máscaras, álcool em gel, lavagem das mãos e distanciamento quando possível”, disse.
ÓBITOS – Os óbitos referem-se a seis mulheres e seis homens, com idades que variam de 44 a 83 anos. As mortes ocorreram entre 11 de dezembro de 2021 e 10 de janeiro de 2022. Onze tinham algum tipo de comorbidade e um caso segue em investigação. Seis não haviam tomado a vacina contra a Influenza e um permanece em investigação. Os que faleceram eram moradores de Arapongas (1), Curitiba (2), Foz do Iguaçu (1), Londrina (2), Mandaguaçu (1), Maringá (1), Marumbi (1), Paranaguá (2) e Tapira (1).